Polêmica: Metrô projeta de pátio na Henry Ford

Nesta semana, o Governo do Estado realizou duas audiências públicas sobre o Projeto da Parceria Público-Privada (PPP) da futura Linha 16-Violeta de metrô, cujo traçado chegará até a Mooca. As sessões ocorridas na terça e na quarta-feira, dias 7 e 8, foram marcadas pela grande presença de empresários da Mooca, principalmente da avenida Henry Ford, onde o Metrô planeja implantar um pátio de manutenção e estacionamento de trens. Eles temem dezenas de desapropriações e consequente fechamento de empresas e demissões de trabalhadores, além da degradação que o pátio pode provocar nos arredores.

A primeira etapa da Linha Violeta está projetada com 19 quilômetros de extensão e 16 estações, ligando as zonas oeste e leste. Na região, além do pátio de trens, estão previstas as paradas São Carlos, Paes de Barros, Vila Bertioga e Álvaro Ramos, além da Regente Feijó e Anália Franco. Futuramente o ramal deve ser esticado até Cidade Tiradentes com mais 18 quilômetros e 12 estações.

O porta-voz da Associação Av. Henry Ford, Mooca & Região, Anderson Festa, que também é superintendente da Distrital Mooca da Associação Comercial, explicou à Folha que a organização dos empresários é plenamente favorável à construção da Linha 16 devido aos benefícios previstos para a população e também para os cerca de 15 mil trabalhadores de 228 empresas localizadas na região. “Porém, não concordamos com a escolha da Henry Ford para instalar um grande pátio de trens. A avenida é totalmente produtiva. Compreende hoje um dos mais importantes polos industriais e de geração de trabalho e renda na Região Metropolitana”, destaca.

O temor é que mais de 40 imóveis na Henry Ford sejam afetados pelas desapropriações. Os empresários reclamam ainda da falta de transparência do Governo do Estado que divulgou detalhes do projeto às vésperas das audiências públicas e impossibilitou um estudo mais detalhado.

Alternativa de área

“Agora vamos nos debruçar nesses documentos divulgados e queremos manter o diálogo. Não entendemos tratarem a Henry Ford como a única alternativa aceitável para o pátio”, completa Anderson Festa. Durante as audiências, vários participantes sugeriram que o Governo estude áreas na avenida Presidente Wilson que, segundo eles, “ainda tem galpões vazios e até com casos de invasões”.

Ao final da segunda audiência, o diretor da Companhia Paulista de Parcerias (CPP), Augusto Almudin, defendeu que o pátio na Henry Ford foi a alternativa mais viável do ponto de vista de custo e benefício. Afirmou que ainda há várias etapas pela frente e o Governo segue à disposição para discutir o projeto.

O investimento anunciado na Linha 16 é de R$ 37,5 bilhões e a PPP terá duração de 31 anos. O início da operação da primeira fase está previsto para 2035. (Kátia Leite)

 

Obra da Linha 15 interdita alça da Anhaia Mello

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que a avenida Anhaia Mello ficará interditada no sentido Ipiranga para obras da Linha 15-Prata. O bloqueio será na pista ao lado do viaduto Grande São Paulo e estava previsto para começar na noite desta quinta-feira, dia 9.

O acesso de retorno sob o viaduto também será fechado. A CET indica que os motoristas que utilizavam esse trecho devem seguir pelo viaduto e avenida do Estado até o cruzamento com a rua dos Patriotas, e retornar para acessar o outro lado do viaduto e a avenida Dr. Francisco Mesquita.

Os trabalhos devem durar até janeiro de 2026.

 

 

Bebida adulterada: duas mortes na Mooca

Conforme o balanço divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde na noite desta quinta-feira, dia 9, são cinco vítimas fatais em São Paulo por intoxicação por metanol encontrado em bebidas adulteradas. As duas primeiras mortes confirmadas foram de moradores da Mooca.

A primeira vítima foi o empresário Ricardo Lopes Mira, de 54 anos, em 16 de setembro, após passar quatro dias internado em um hospital particular na Mooca. No dia 2 de outubro faleceu o corretor Marcos Antônio Jorge Junior, conhecido por Xingu, de 46 anos. Ele foi internado em estado grave no Hospital Municipal do Tatuapé um dia após beber vodca e teve morte cerebral três dias depois. Os dois eram amigos e as fatalidades causaram comoção e apreensão na região. Os casos estão sendo investigados pela Polícia Civil.

Entre os 13 estabelecimentos interditados desde que surgiram os primeiros casos de intoxicações, consta o Torres Bar, na rua Quariteré, na Mooca. O comércio foi fiscalizado por uma força-tarefa no dia 29 de setembro e segue lacrado. Instalado há 22 anos no bairro, o bar divulgou nota afirmando que “está colaborando integralmente com todos os órgãos de fiscalização’’.

Também na região, a Polícia Civil encontrou nesta semana 103 mil garrafas vazias em um galpão clandestino na Vila Formosa. O local, cujo endereço não foi divulgado, funcionava sem licença como uma “empresa de recicláveis” e tinha como fonte principal de comércio a venda de garrafas para reaproveitamento. Durante a vistoria, foram apreendidos vasilhames vazios de destilados, como gins, vodcas e whiskys, todos prontos para serem vendidos e reutilizados sem procedimentos de higienização.

Segundo a Secretaria da Saúde, até o momento são 23 casos confirmados de intoxicação e os outros 148 em investigação no estado paulista, além de seis mortes suspeitas.