Área pleiteada para parque é novamente declarada de utilidade pública

Os movimentos da sociedade civil que defendem a preservação de áreas verdes na Vila Prudente e Mooca ganharam um importante avanço. Foi publicado no Diário Oficial do Município de hoje o Decreto 57.798/17 do vice-prefeito Bruno Covas, que está na interinidade da Prefeitura, declarando novamente de utilidade pública para fins de desapropriação a área situada na avenida Vila Ema esquina com Rua Batuns para a implantação de parque público. Desde 2009, moradores da região reivindicam a instalação de parque nesse espaço de propriedade da Tecnisa. A empresa pretendia erguer quatro torres residenciais no local.

Há duas semanas, o presidente da Folha, Newton Zadra e representantes do movimento em prol do Parque Vila Ema estiveram com a vereadora Juliana Cardoso (PT) em reunião com o secretário do Verde e Meio Ambiente, Gilberto Natalini. No encontro a vereadora reiterou o pedido de renovação do Decreto de Utilidade Pública (DUP) e o secretário se comprometeu a encaminhar ofício ao prefeito com a solicitação. O processo administrativo de renovação do decreto foi instruído na gestão passada, após o projeto de construção dos prédios ter sido indeferido pela Secretaria Municipal de Licenciamento.

A área já havia sido declarada utilidade pública em 2010, mas a medida expirou há dois anos. Pela legislação, a renovação não pode ser automática, mas teve que cumprir intervalo de um ano. A antiga chácara de imigrantes alemães abriga 477 árvores catalogadas, algumas das quais raras e remanescentes da Mata Atlântica.

O novo DUP tem prazo de validade equivalente ao anterior, ou seja, cinco anos. Para a vereadora Juliana Cardoso, a expectativa agora é pelo indeferimento em definitivo do processo de construção, já que a construtora apresentou recurso. “Com o indeferimento, a área passa a ser classificada como Zona Especial de Proteção Ambiental (ZEPAM) de acordo com o Plano Diretor Estratégico aprovado pela Câmara em 2014”, comenta. “Como ZEPAM vigoram restrições drásticas para a construção e assim o terreno perde valor, facilitando a desapropriação pela Prefeitura”.

Integrantes do movimento em prol do Parque comemoraram. “A renovação do DUP mostra que a luta não foi em vão e que as autoridades compreendem a necessidade de preservar o pouco de verde que resta na cidade”, afirmou o morador da Vila Ema, Fernando Salvio, que é um dos líderes do movimento.

Estado intensifica vacinação de adolescentes

A Secretaria de Estado da Saúde intensifica, a partir de hoje até sexta-feira, dia 28, a vacinação, com ênfase em adolescentes e pré-adolescentes, para imuniza-los contra o HPV (papilomavírus humano), Hepatite B, doença meningocócica C.

O público jovem foi definido como alvo principal por abranger a fase de proximidade e/ou início da vida sexual e, consequentemente, de maior vulnerabilidade às Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), como o HPV e a Hepatite B.

A intensificação ocorrerá das 8h às 17h em 4,3 mil postos de saúde em todo o Estado. No total, serão distribuídas 758,6 mil doses para os municípios paulistas, contabilizando os três tipos de vacina e os quantitativos à imunização de rotina prevista para o mês de julho.

A vacinação contra o HPV está disponível para meninas na faixa etária entre 9 e 14 anos e para meninos de 11 a 14 anos. Entre o público feminino, a imunização auxilia na prevenção contra o câncer de colo de útero e vulva. Para meninos, a proteção é contra o câncer de pênis e ânus. A vacina previne ainda contra o câncer de boca, orofaringe e verrugas genitais para ambos os sexos. O esquema vacinal compreende duas doses, com intervalo de seis meses para a segunda, para ambos os sexos.

“É fundamental ampliar a cobertura vacinal entre esses públicos. Desde 2014, a cobertura vacinal entre meninas de 9 a 15 anos mantém-se em 61%; entre os garotos na faixa etária de 12 e 13 anos, que passaram a ser vacinados em janeiro de 2017, a cobertura é de 44%. Contamos com apoio dos pais e responsáveis para que nossos jovens estejam orientados e protegidos”, afirma a diretora de Imunização da Secretaria, Helena Sato.

Neste ano, a vacina contra a doença meningocócica C também foi inclusa no calendário de vacinação, pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), que definiu como público-alvo meninos e meninas de 12 e 13 anos. Atualmente, a cobertura vacinal é de 32%.  A dose é única.

“No inverno, a aglomeração em ambientes fechados tende a ser maior. Imunizar-se contra a meningo C contribui para o controle epidemiológico da doença, transmitida por secreções como saliva, espirro e tosse”, explica Sato.

A Hepatite B, também prevista na intensificação contempla não somente adolescentes, mas todas as faixas etárias – desde menores de um ano até adultos acima dos 50 anos. O esquema vacinal é de três doses, com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda; a terceira deve ser aplicada após seis meses em relação à dose inicial.

“A vacina contra Hepatite B está disponível para crianças desde 1998 e, por isso, a maior cobertura vacinal, de 97%, abrange o público de menores de um ano até 14 anos. A partir de 2013, foi estendida a faixa etária de 15 a 49 anos, cuja cobertura é de 55% e precisa ser ampliada, bem como entre a população acima de 50 anos, na qual a cobertura é de apenas 16%, devido à inclusão recente”, detalha a diretora de Imunização.

Comunidade faz mutirão no Clube Escola Vila Alpina

Um grupo de moradores da região e frequentadores do Clube Escola Vila Alpina, organizados pela Associação Desportiva dos Corredores de Rua de São Paulo (ADCRESP), promoveram um mutirão de limpeza na unidade esportiva no último sábado, dia 8.

Segundo o presidente da Associação, Wesley Vasconcelos, a ação popular começou por volta das 8h com a limpeza da quadra poliesportiva, dos vestiários, capinação do campo e entorno e limpeza da área do estacionamento.

Com o espaço mais limpo, algumas atividades já começaram a acontecer no local. Aulas de futebol para crianças no ginásio e de ginástica e corrida na pista em volta do campo já foram ministradas ao longo desta semana por integrantes da Associação. Segundo o presidente da ADCRESP, a intenção é levar a comunidade novamente para o Clube Escola.

Conflito

De acordo com os organizadores, pouco antes da finalização do mutirão houve um incidente envolvendo o prefeito regional de Vila Prudente, Jorge Farid. “Por volta das 17h o prefeito local entrou no parque com o intuito de tirar algumas fotos para posterior postagem em redes sociais, tomando para si o sucesso da ação, mas um dos voluntários foi questioná-lo pedindo que não fizesse fotografias. O prefeito sentiu-se desacatado e acionou a Polícia Militar. Ele exigia a prisão do voluntário, mas conseguimos amenizar a situação com o pedido de desculpas da pessoa acusada injustamente”, comenta Vasconcelos.

A Folha pediu por e-mail um posicionamento do prefeito regional, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

 

Sabesp amplia a coleta de esgoto na região

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) investiu R$ 6,4 milhões para aumentar a coleta e o tratamento de esgoto na região da Vila Prudente e do São Lucas. Segundo dados da Sabesp, nos últimos 12 meses, foram realizadas 2.212 novas conexões de imóveis, beneficiando aproximadamente 6 mil pessoas.

Para isso, a Companhia criou um grupo de trabalho que avalia periodicamente os locais que têm apenas ligação de água e, a partir desta análise, estabelece ações a curto, médio e longo prazo para ampliar o número de clientes conectados à rede coletora de esgoto.

De maio de 2016 a maio de 2017, foram executados 3,3 km de rede nos bairros Vila Ema, Jardim Avelino, Jardim Panorama, Vila Alpina, Vila Alois e Sítio da Figueira. Antes desse trabalho, grande parte do esgoto gerado por esses imóveis era despejado em galerias de águas pluviais, que direcionam a água da chuva para córregos e rios. Quando o cliente se conecta à rede da Sabesp, o seu esgoto é tratado e ele colabora com o meio ambiente.

Ainda para este ano, o grupo de ações especiais pretende gerar mais 300 novas ligações de esgoto, sendo que 150 já foram iniciadas na região e mais 150 ligações serão feitas na comunidade do Barbeiro de Sevilha, na Vila Industrial.

Parte do material coletado na região da Vila Prudente termina na Estação de Tratamento de Esgoto Barueri, que tem capacidade de despoluir mais de 12 mil litros de esgoto por segundo. Outra parte do bairro tem o esgoto encaminhado para a Estação de Tratamento ABC, com capacidade para tratar 3 mil litros por segundo. Ambas devolvem a água em boas condições ao meio ambiente, despoluindo os córregos, ou reutilizando o líquido para fins não potáveis, como geração de energia, refrigeração de equipamentos, lavagem de ruas, entre outros. Além disso, a diminuição dos esgotos a céu aberto contribui para acabar com doenças e infecções que atingem crianças e adultos.

Se Liga na Rede

Já para o final de 2017 e decorrer de 2018, estão planejadas mais 700 novas ligações pelo programa Se Liga na Rede, em processo de licitação, com o investimento de R$ 1,2 milhão. Nestes casos, os beneficiados são moradores de baixa renda, que não têm como fazer a reforma dentro de suas casas para que o esgoto do chuveiro, pia, tanque e sanitários siga até a rede coletora na rua. Para permitir que o esgoto dessas casas tenha destino correto, o governo do Estado e a Sabesp pagam pela reforma dos imóveis, sem custos para o morador.

Projeto de futebol para crianças carentes completa dois anos

O projeto social Futvida, que tem o objetivo de proporcionar atividade física e lazer através de aulas de futebol para crianças e jovens da favela de Vila Prudente, completou  dois anos no último dia 25, ocasião em foi realizada festa para os alunos, familiares e amigos.

Durante todo o domingo os jovens puderam se divertir com várias atrações no interior da comunidade, como pula-pula e piscina de bolinha, entre outras. O evento contou ainda com cachorro quente, refrigerante e churrasco. Os recursos para a realização da festa foram angariados através de um festival de futebol entre equipes da comunidade de Vila Prudente e um jogo do time feminino criado no projeto.

Graças ao trabalho voluntário de dois antigos moradores da comunidade, Ivanildo Gonçalves da Silva e Leandro da Silva Santos, o Futvida conta hoje com cerca de 300 crianças e jovens de 5 a 20 anos. As aulas acontecem de segunda a quinta-feira das 19 às 20h30. “O nosso desejo é conseguir a colaboração para a compra de materiais e orientação para registrarmos de forma legal o nosso projeto”, comenta Leandro.

Mais informações sobre o projeto pelo telefone: 95761-0720.

 

 

 

Prefeito faz visita surpresa no Jardim Guairacá

Acompanhado pelo vice Bruno Covas, o prefeito João Doria fez três visitas surpresas a serviços públicos no Jardim Guairacá, distrito do São Lucas, na tarde da última quarta-feira, dia 21.  A iniciativa tem o objetivo de conhecer as demandas dos bairros e dos servidores que fazem o atendimento da população nos equipamentos públicos.

O primeiro local visitado foi o espaço integrado que conta com uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e a Assistência Médica Ambulatorial (AMA) Jardim Guairacá, onde o prefeito conheceu as dependências, e conversou com os gestores e pacientes que aguardavam o atendimento. Na unidade, o prefeito solicitou a relação completa dos medicamentos que estavam em falta para solicitar providencias junto à Secretaria Municipal da Saúde.

“Bom atendimento, uma boa disposição dos funcionários, mas tive uma surpresa desagradável: faltam medicamentos e o estoque da farmácia está em 70%. Não deveria ser inferior a 90%. Já liguei para o secretário da Saúde para fazer a reposição imediata”, disse o prefeito.

Na região, Doria também visitou o Centro de Educação Infantil (CEI) Jardim Guairacá, que atende crianças com idade entre 0 e 6 anos.

 

CTC Vila Ema é bicampeão da Copa da Juventude

No último dia 15, a equipe de futebol de salão, categoria Sub-12, do Círculo de Trabalhadores Cristãos (CTC) de Vila Ema conquistou o bicampeonato da Copa da Juventude, que foi disputada por mais de 30 times de São Paulo e da região do ABC.

O segundo título consecutivo veio após a vitória de 4 a 1 sobre o R2 Futsal, no ginásio Noemia Assumpção, em Santo André. O time comandado pelo técnico Lelo Berenc disputou 15 jogos até alcançar o triunfo.

Para comemorar o título, o CTC-Vila Ema faz uma festa de premiação nesta sexta-feira, dia 23, a partir das 19h30, em sua sede, na rua Pinto da Luz, 705. Durante o evento, que terá animação de DJ, ocorrerão as entregas de medalhas, troféus e prêmios individuais. O valor da entrada é R$ 10 – atletas inscritos na competição não pagam.

TRE incentiva paulistanos a fazerem a identificação biométrica

Embora o cadastramento biométrico ainda seja facultativo na capital paulista, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) está incentivando os eleitores paulistanos a agendarem o atendimento para identificação biométrica nos cartórios eleitorais.

“Precisamos aumentar de forma significativa o número de eleitores com biometria, a fim de evitarmos um grande fluxo nos cartórios, quando o cadastramento se tornar obrigatório”, destaca o presidente do TRE, o desembargador Mário Devienne Ferraz. Dos quase 8 milhões de eleitores paulistanos, 32% possuem a biometria de acordo com o último balanço do TRE.

Atualmente, o cadastramento é obrigatório em 82 cidades do Estado  e quem não atender ao chamamento da Justiça Eleitoral nesses locais terá o título cancelado.

Ferraz explica que “a grande vantagem da identificação biométrica é eliminar a única etapa do processo de votação que ainda possui um componente manual”. Segundo ele, o “que já é seguro e confiável, terá eliminada qualquer possibilidade de fraude no momento da identificação do eleitor”.

Estado continua enrolando e não alarga a calçada de hospital

Inaugurado há 15 anos, o Hospital Estadual de Vila Alpina apresenta um grave erro estrutural, que inexplicavelmente foi acatado pela Prefeitura nesses anos todos.  A calçada da unidade na rua José Jeraissati, além de ser estreita, acumula árvores, telefone público e postes de energia elétrica, que atrapalham o caminho dos próprios pacientes da unidade de saúde e demais pedestres e impossibilitam a passagem de cadeirantes e mães com carrinhos de bebês. Também pela falta de espaço no passeio, o ponto de ônibus existente no trecho não pode ter abrigo e as pessoas aguardam os coletivos sob sol ou chuva.

Em agosto de 2014, após a Folha realizar sucessivas reportagens cobrando providências e várias queixas de pedestres e pacientes, aconteceu uma reunião entre representantes da então Subprefeitura de Vila Prudente e do hospital com o objetivo de tentar um acordo que viabilizasse melhorias na calçada. Logo após o encontro, a assessoria de imprensa da Subprefeitura informou que a gerência do hospital tinha se proposto a recuar o muro do hospital em cerca de três metros, no trecho entre a entrada do pronto-socorro e o ponto de ônibus, permitindo assim que a São Paulo Transportes (SPTrans) colocasse um abrigo no local. Entretanto, passado quase três anos, a situação no local permanece inalterada.

Além da calçada estreita, a rua José Jeraissati tem apenas uma mão em cada sentido e fluxo intenso de veículos, inclusive de ônibus, sendo bastante perigoso para os pedestres transitarem pela rua para desviarem dos obstáculos da calçada. Após muita cobrança, a CET instalou semáforo e faixas para travessia há dois anos.

Questionada pela Folha, a Secretaria Estadual de Saúde informou na semana passada que a direção do hospital se reuniria com representantes do grupo técnico de edificações do órgão e da Prefeitura Regional para estudarem possíveis melhorias. Foi ressaltado que a estrutura física do hospital foi feita com base na legislação municipal e que eventuais necessidades relacionadas ao mobiliário urbano, como ponto de ônibus, postes e até mesmo árvores situadas no passeio publico estão sob responsabilidade da Prefeitura. A Secretaria, no entanto, não explicou porque a calçada do hospital foi construída tão estreita.

Nesta semana a reportagem cobrou novamente a Secretaria sobre a realização da reunião e o órgão afirmou que o encontro ainda não tem data prevista para ocorrer. Enquanto isso, pedestres continuam correndo risco em plena calçada de um hospital do Estado.

Por falta de espaço, ponto de ônibus não pode receber abrigo

 

Primeira greve geral do Brasil começou na Mooca
Trabalhadores em frente à fábrica têxtil na Mooca no início do século XX (Reprodução/Arquivo Edgar Leuenroth/Unicamp)

 

Desde o início do século XX, o fabril bairro da Mooca registrou protestos da classe operária. No livro “Histórias da Mooca”, do jornalista e escritor Mino Carta, consta que em 1907, tecelões de lã da fábrica Penteado entraram em greve reivindicando a redução da jornada de trabalho e a proibição do emprego de menores de 14 anos. Dez anos depois e ainda longe do Brasil consolidar uma legislação trabalhista, a situação dos trabalhadores das grandes indústrias era ainda mais extenuante e injusta. Foi assim que, há exatos 100 anos, no dia 9 de junho de 1917, um sábado, cerca de 400 operários, em sua maioria mulheres, da fábrica têxtil Cotonifício Crespi paralisaram as atividades pedindo menos horas de trabalho, que aquela altura avançava para o período noturno, e aumento salarial de 15 a 20%, entre outras questões. Julgado como um ato corriqueiro de início, tanto que a imprensa da época não deu atenção imediata à greve no grande Cotonifício; o movimento ganhou adesão com o passar dos dias e acabou considerado o percursor da primeira Greve Geral do Brasil que eclodiu no mês seguinte.

Além da ausência de leis trabalhistas que impedissem o abuso por parte dos patrões, outros fatores históricos tiveram papel decisivo para a enorme reação operária de 1917. Com a primeira Grande Guerra (1914 – 1918) em andamento na Europa, o Brasil passou a exportar seus produtos manufaturados, ao mesmo tempo em que tinha dificuldade para importar maquinários para as fábricas aumentarem as produções. Assim, para não perder o momento e garantir os lucros, a alternativa foi fazer as máquinas funcionarem por mais tempo e os industriais passaram a exigir jornada estendida, de 16 horas por dia, incluindo sábados, sem aumento salarial.  Em recente entrevista ao jornal BBC Brasil, o historiador italiano radicado no Brasil, Luigi Biondi, da Unifesp, conta que “em 1914, o Cotonifício Crespi lucrou 196 contos de réis. No ano seguinte, o lucro foi de 350 contos de réis. E foi aumentando. Enquanto isso, aumentavam as horas de trabalho”.

Com os produtos nacionais sendo levados mundo afora, houve repentina subida dos preços no Brasil e forte perda do poder aquisitivo foi outro fator que revoltou principalmente as operárias que, já naquela época, controlavam os gastos da família. Historiadores citam ainda questões como assédio sexual de mulheres e atos de violência contra menores dentro das fábricas como propulsores coadjuvantes de protestos. Também em entrevista ao BBC Brasil, o historiador Claudio Batalha, da Unicamp, explica que, apesar de menos comentado nos livros de história, a revolta das funcionárias do Cotonifício Crespi também estava relaciona ao abuso dos chamados contramestres e ressalta que greves anteriores já haviam começado por esse motivo. Em seu livro, Mino Carta expõe que “em 1917, meninos operários de uma fábrica na Mooca queixavam-se de espancamentos com inspetores do trabalho e exibiam ferimentos”. Não deixa claro em qual indústria ocorria, mas, o fato é que, naquele momento, sobravam motivos para o movimento grevista conquistar o apoio de outros trabalhadores, mesmo que por solidariedade. Na época também estavam amparados pela recém criada Liga Operária da Mooca (leia mais abaixo).

No fim de junho os demais funcionários do Cotonifício também resolveram cruzar os braços, chegando a cerca de 1.500 trabalhadores parados. Logo em seguida, teve início a greve na grande fábrica têxtil Ipiranga de, Nami Jafet, envolvendo mais de 1.600 operários que pediam aumentos em torno de 20% e, em caso de trabalho noturno, de 25%, segundo registro no Atlas Histórico da Fundação Getúlio Vargas.  Nos dias posteriores começaram as paralisações nas fábricas de móveis, quase todas situadas no Brás, e no início de julho foi a vez da Cia. Antarctica Paulista entrar no protesto. Portanto, na primeira semana de julho de 1917, as duas fábricas mais importantes da Mooca, o Crespi e a Antarctica, estavam paradas.

A partir daí a greve se alastrou rapidamente, parou São Paulo e havia tentativas de saques aos moinhos que produziam farinha por causa da crise de abastecimento que se instalou, além de ataques a carros de transportes do produto. A primeira medida para frear o movimento foi através da força, dando início aos embates entre grevistas e a polícia. Ocorreram mortes nesses confrontos e o protesto ganhou ainda mais fôlego em 11 de julho, quando uma multidão acompanhou o enterro do sapateiro espanhol José Martinez, de 21 anos, morto com um tiro depois que a unidade de cavalaria da polícia dispersou manifestantes diante da Antarctica, segundo noticiou O Estado de S.Paulo na época. Em registros históricos, Martinez era apontado como um militante anarquista.

Em meio ao movimento, em 9 de julho, foi criado o Comitê de Defesa Proletária e curiosamente, também foi constituída uma comissão com diretores dos grandes jornais paulistas que funcionou como intermediária entre representantes empresariais e os grevistas, que a essa altura, além dos direitos trabalhistas, pediam também a libertação dos militantes e operários presos nas manifestações.

Somente na metade de julho, mais de um mês depois do início da greve no Cotonifício Crespi e com os industriais percebendo que a situação estava fora de controle, um acordo selou o fim da greve em São Paulo atendendo as principais reivindicações. Mesmo assim, algumas categorias ainda resolvem parar depois, como foi o caso dos pedreiros. Por não se tratar de uma lei, alguns patrões ainda resistiam em atender as normas do acordo. Enquanto isso, principalmente nos estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul os movimentos operários continuaram. Segundo historiadores, não existe uma data certa para o fim da greve geral de 1917, pois assim como adesão foi acontecendo aos poucos, o ritmo de saída também foi gradual. A situação se normalizou apenas no fim de julho.  Mesmo com o grande ato nacional, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi sancionada somente em 1943 no regime do presidente Getúlio Vargas. (Kátia Leite)

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Grande tecelagem da Mooca na história