Secretário anuncia Casa de Cultura na Prefeitura Regional VP

Na manhã de ontem, o secretário municipal de Cultura, André Sturm, esteve na sede da Prefeitura Regional Vila Prudente para conhecer as atividades culturais oferecidas para a comunidade no local. Acompanhado pelo prefeito regional Guilherme Kopke Brito, após percorrer pelas arborizadas alamedas do espaço, visitar o histórico casarão e as dependências da unidade, ele anunciou a criação de uma Casa de Cultura no espaço, cujo projeto consiste em promover à população, de forma gratuita, variadas oficinas, espaços de leitura, reflexão, entre outras atividades.

“Este local onde fica a Prefeitura Vila Prudente é privilegiado. Aqui nos sentimos em um parque e as dependências são totalmente favoráveis para receber uma Casa de Cultura. Vamos começar a trabalhar neste projeto hoje e no início do próximo ano a Casa será aberta à comunidade”, anunciou o secretário.

Durante a visita, Sturm acompanhou uma sessão de contação de histórias destinada para crianças de escolas municipais de educação infantil e a apresentação teatral de um grupo de terceira idade que ensaia semanalmente nas dependências da unidade.

“É muito interessante sentir que a vida cultural neste espaço é intensa. Com a Casa de Cultura vamos oferecer ainda mais atividades e apoiar as que já acontecem”, completou o secretário.

Segundo o prefeito regional, um dos seus objetivos é o de aproximar a comunidade ao histórico imóvel que abriga a sede da Prefeitura de Vila Prudente. “A população precisa usufruir deste privilegiado espaço. Cada vez mais realizaremos atividades e pretendo criar uma pista de caminhada aqui dentro”, declarou Brito.

Lideranças locais aproveitaram a ocasião para transmitirem ao secretário a antiga reivindicação de construção de um teatro no bairro e a insatisfação com o espaço destinado à cultura que foi projetado na obra do CEU Vila Prudente. “Vamos organizar uma reunião envolvendo a Secretaria Municipal de Educação para tratarmos do assunto”, prometeu Sturm.

Agressão e assalto no cemitério de Vila Alpina

O que deveria ser um momento de paz se transformou em um trauma na vida da moradora da Vila Ema, Udeli Alves dos Santos, de 48 anos. No último dia 29, uma terça-feira, em plena luz do dia, ela foi fazer uma oração no túmulo do irmão no Cemitério São Pedro, em Vila Alpina, e também pagaria a taxa de manutenção da necrópole. Porém, no percurso entre a campa e a administração da unidade foi abordada por dois homens que a agrediram e levaram a sua bolsa, com dinheiro, celular, documentos e pertences pessoais.

“Foi horrível! Eram dois moleques, um deles devia ter uns 13 anos e foi o mais violento. Ele me passou uma rasteira e cai com tudo sobre uns pedriscos, minha blusa até rasgou. Fiquei com as costas arranhadas e toda vermelha por mais de uma semana. Ainda estou com um hematoma no joelho”, relata Udeli quase 15 dias depois do ocorrido. “Estou indignada e resolvi expor o caso para ver se a Prefeitura toma vergonha e passa a cuidar direito daquele espaço. Cobram taxas da gente, mas recebemos descaso em troca”, argumenta.  “Além da agressão, estou muito sentida porque dentro da minha bolsa estavam o crucifixo de prata do meu falecido irmão, que sempre carregava comigo, e a imagem abençoada de uma santinha que tinha desde pequena”.

Ela registrou boletim de ocorrência no 29º Distrito Policial – Vila Diva. “Só consegui ir depois à delegacia. No dia eu só chorava. Fui socorrida por uma mulher que me encontrou caída. Ninguém do cemitério veio me ajudar. Essa senhora que me auxiliou, chegou a ligar para a Polícia Militar, mas esperamos um tempão e nenhuma viatura apareceu”, conta.

Com o irmão falecido há um ano e 11 meses, Udeli afirma que vai semanalmente ao cemitério e só encontra a Guarda Civil Metropolitana em datas especiais, como Finados. “Não adianta ter viatura parada apenas para se exibir em datas com grande presença de pessoas. Enquanto isso, nos outros dias, os bandidos aproveitam para se esconder no local e assaltar tranquilamente”, reclama. “Depois do assalto, tive que voltar no sábado seguinte ao cemitério para pagar a taxa, porque o dinheiro que eu usaria foi roubado, e também não vi guarda”.

A Folha já publicou casos de pessoas que param seus veículos dentro do estacionamento do cemitério para participarem de velórios e quando retornam, encontram os carros sem rodas. Nesta semana, a reportagem também foi informada que esses furtos continuam ocorrendo rotineiramente.

Questionada duas vezes por e-mail sobre a falta de segurança no cemitério, o Serviço Funerário do Município não se pronunciou até o fechamento desta matéria.

A Inspetoria Regional de Vila Prudente da Guarda Civil Metropolitana garantiu que são realizadas rondas diuturnamente no cemitério e áreas adjacentes e que aos finais de semana é realizado policiamento fixo com servidores de Atividade Delegada “quando há voluntários” – ressalta a nota. Não foi explicado porque depende de voluntários. Foi informado ainda que nos últimos 60 dias foram realizadas aproximadamente 125 rondas no local. A Guarda Civil também não explicou quanto tempo em média dura cada ronda. Diante do caso relatado, não houve menção de que haverá aumento do patrulhamento no local. (Kátia Leite)

 

 

Pontos históricos da Mooca são tombados pela Prefeitura

No último 18 de agosto – um dia após o tradicional bairro da Mooca completar 461 anos – a Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Cultura, publicou no Diário Oficial do Município homologação que tombou de forma definitiva 32 bens históricos da cidade, entre eles, cinco na Mooca.

Em processo de análise desde 2004 no Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental (CONPRESP), os locais da região incluídos na lista são: o ; o prédio do Cotonifício Crespi, entre as ruas Taquari e Javari; o prédio do Centro de Educação Infantil (CEI) Divina Providência, que fica entre as ruas da Mooca, Wandenkolk e Coronel Bento Pires; e as travessias da estrada de ferro próximo ao Museu da Imigração e da estação Mooca da CPTM. A indicação destes locais foi feita pela comunidade em 2004 nas audiências do Plano Regional Estratégico que definiram as Zonas Especiais de Preservação Cultural (ZEPEC).

Na publicação da Prefeitura constam critérios de preservação distintos para os bens envolvidos. Na região, tanto para o estádio, como para os prédios do Cotonifício Crespi e do CEI, está especificado que a conservação deve ser das características arquitetônicas externas. Já em relação às duas travessias da estrada de ferro, a preservação deve ser integral de todos os elementos.

Para a jornalista Elizabeth Florido, defensora do patrimônio histórico da região, a decisão da Prefeitura ficou legada apenas a uma cenografia de recortes externos, o que é muito pouco diante do que a Mooca ainda possui de patrimônio cultural. “Uma preocupação é com o Cotonifício Crespi, pois para o local consta apenas a preservação externa, o que é um contrassenso, já que anos atrás lutamos e conseguimos barrar a destruição que o grupo ocupante iria fazer e não foram tiradas uma das torres, a volumetria e as vigas de aço, que são itens internos”, declarou.

De acordo com a Secretaria Municipal de Cultura, as tipologias arquitetônicas indicadas para o tombamento contribuem para a identidade da paisagem urbana paulistana, além de possuírem valor afetivo reconhecido pela população local.

Na publicação da Prefeitura alguns locais indicados pela comunidade em 2004 foram excluídos do tombamento definitivo por não apresentarem valores significativos para a preservação. Entre eles estão: o imóvel da Pizzaria São Pedro, entre as ruas Javari e Visconde de Laguna; e residências nos números 1234 e 1236 da rua dos Trilhos. (Gerson Rodrigues)

Prédio do Centro de Educação Infantil (CEI) Divina Providência, que fica entre as ruas da Mooca, Wandenkolk e Coronel Bento Pires
Estádio Conde Rodolfo Crespi, do Clube Atlético Juventus, na rua Javari
Brito afirma que buscará investimentos para Vila Prudente

Conforme a Folha já ressaltou, dados do Sistema Orçamentário e Financeiro da Prefeitura apontam que dos R$ 32 milhões orçados para este ano para Prefeitura Regional Vila Prudente, a administração local havia executado somente 11,8 milhões, cerca de 30%. Além da baixa execução orçamentária, até o último dia 10, tinha R$ 9,2 milhões congelados e empenhados R$ 15,9 milhões. A falta de investimentos acaba tendo impacto direto na qualidade dos serviços de zeladoria da região. Com a mudança de comando na Vila Prudente, a reportagem questionou o novo prefeito regional, Guilherme Brito, que garantiu que já está negociando com a Secretaria das Prefeituras Regionais a liberação de mais verba do orçamento previsto.

“Me informaram que virá a verba do Fundo de Multa para ser investida no serviço de tapa-buraco. A expectativa é ampliar em quase 30% a quantidade de concretagem na região. Mas, vou batalhar por recursos para aumentar as equipes de trabalho de poda, capinação, limpeza de bueiros, visando a temporada de chuvas que está chegando”, comenta Brito. “Também pretendo visitar os secretários para conseguir investimentos para região”.

O novo prefeito regional também se comprometeu a avaliar a situação da obra do Centro de Educação Unificado (CEU) Vila Prudente, atualmente parada por falta de verba. A construção iniciada pela gestão passada provocou a interdição de vários equipamentos do Clube Escola Vila Alpina, entre eles as piscinas, além da destruição de quadras esportivas e de um dos campos de futebol. Também é bastante criticada por especialistas da área de educação que defendem que a região está bem abastecida de escolas públicas e o grande prédio do CEU ficará ocioso. “Essa área já me chamou bastante atenção porque uso o monotrilho para vir trabalhar, o que me dá uma visão ampla do espaço. Vou conversar com os secretários envolvidos para ver se conseguimos agilizar a liberação dos equipamentos e também discutir a destinação do prédio”, se prontificou Brito que reside na Vila Mariana e pretende se mudar para Vila Prudente a partir de outubro.

Sobre a situação da Prefeitura Regional Vila Prudente, ressaltou que é melhor aparelhada do que a de Sapopemba, onde era chefe de gabinete, e até mais do que a de Vila Mariana, onde já foi coordenador de Finanças. “Isso só aumenta a minha responsabilidade”, conclui. Brito também elogiou a área onde está instalada a sede da administração local, uma antiga chácara da família que originou o bairro do Jardim Independência. “É um espaço lindo, todo arborizado, mas o senti muito vazio. A Prefeitura não pode ficar fechada desta forma, então estamos reativando várias atividades no auditório para que a comunidade passe a desfrutar dessa área”, afirma. (Kátia Leite)

Novo prefeito regional tem experiência na vida pública

Desde o último dia 18, o advogado Guilherme Kopke Brito, de 40 anos, é o novo prefeito regional de Vila Prudente. Portaria do prefeito João Doria (PSDB) publicada no mesmo dia, no Diário Oficial do Município, exonerou Jorge Farid Boulos do cargo. Farid respondia pela administração local desde o início da gestão em janeiro.

De acordo com nota divulgada à imprensa pela Secretaria Municipal das Prefeituras Regionais, Farid saiu a pedido e prosseguirá colaborando com o trabalho da administração municipal, em outra função. Mas, não foi divulgada qual. A mesma explicação foi dada para a exoneração do Prefeito Regional da Penha, Jurandir Junqueira, também ocorrida no dia 18.

A Secretaria definiu que o novo prefeito regional tem perfil técnico. Até então, Brito era chefe de gabinete da vizinha Prefeitura Regional Sapopemba. Na vida pública, acumula, entre outras funções, os cargos de coordenador de Administração e Finanças da então Subprefeitura de Vila Mariana, assessor da presidência da Companhia de Seguros do Estado de São Paulo (COSESP) e diretor de Gestão Institucional da Companhia Paulista de Obras e Serviços. Também coordenou projetos especiais na Secretaria de Estado da Cultura, como a reabertura e restauração do Caminho do Mar (estrada velha de Santos) e a reabertura e transformação da Casa Das Rosas na avenida Paulista em espaço de literatura e poesia, ainda na Secretaria foi diretor de fomento e difusão de produção cultural. (Kátia Leite)

Extinto colégio em Vila Prudente é foco de problemas

Fechado há cerca de dois anos, quando uma escola particular que funcionava no local foi despejada por falta de pagamento de aluguel, o grande prédio na esquina da rua Carlos Muller com a Dona Genoveva D’Ascoli, em Vila Prudente, está preocupando a vizinhança. O portão de um dos acessos foi destruído e, com isso, o imóvel passou a acumular entulho, sujeira e abrigar moradores em situação de rua. Há relatos de que já ocorreram até princípios de incêndio no local.

“É lamentável a situação deste prédio. Tem valor histórico para o bairro porque foi nele que funcionou durante muitos anos o Colégio José de Anchieta, onde muitos vilaprudentinos estudaram”, comenta o morador da rua Carlos Muller, Antonio de Assis. “A quantidade de ratos e mosquitos tem aumentado na redondeza e tenho certeza que é por causa da condição do imóvel”, completa.

Quem também está indignada com a situação é a moradora da região, Eliza Cristina Zuntini. “Uma das entradas, na rua Dona Genoveva D’Ascoli, já foi alvo de um incêndio. Este espaço está ocupado por moradores de rua. Além do mau cheiro e a presença de bichos, outros acidentes podem ocorrer. Os proprietários do prédio precisam ser acionados para tomarem providências”, reclama.

Procurada pela Folha, a Prefeitura Regional Vila Prudente informou que para o imóvel em questão consta ação fiscal e o proprietário foi intimado a colocar o prédio em condições de estabilidade e segurança sob pena de multas.

Sobre os moradores em situação de rua, a Folha encaminhou o caso para a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social e o órgão afirmou que o prédio é particular, portanto não é permitida a entrada da equipe do Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS). Foi ressaltado que na região há um Centro de Acolhida Especial (CAE) para famílias com capacidade de atendimento para 100 pessoas e, caso falte vagas, há o redirecionamento para outros serviços da rede socioassistencial.

 

Doria exonera prefeito regional de Vila Prudente

Portaria assinada ontem pelo prefeito João Doria (PSDB) e publicada hoje, dia 18, no Diário Oficial do Município, exonera Jorge Farid Boulos (foto) do cargo de Prefeito Regional de Vila Prudente. Farid ficou menos de oito meses no cargo. Ele assumiu a Vila Prudente no início da gestão Doria em janeiro.

De acordo com a Secretaria Municipal  das Prefeituras Regionais, Farid deixou o cargo a pedido e prosseguirá colaborando com o trabalho da administração municipal, em outra função. Mas, não foi mencionada qual. A mesma explicação foi dada para a exoneração do Prefeito Regional da Penha, Jurandir Junqueira, também ocorrida hoje.

Para o lugar de Farid na Vila Prudente, o prefeito nomeou Guilherme Kopke Brito que até então era chefe de gabinete da Prefeitura Regional Sapopemba e segundo a Secretaria, tem perfil técnico. Brito é advogado e dentre outras funções, foi coordenador de Administração e Finanças da Prefeitura Regional de Vila Mariana, assessor da COSESP e diretor da Companhia Paulista de Obras e Serviços. Também foi diretor de fomento e difusão de produção cultural da Secretaria de Estado da Cultura, área em que colaborou em projetos diversos. (Kátia Leite)

 

UBS Vila Ema fica para março de 2018

A Unidade Básica de Saúde (UBS) Vila Ema já deveria estar atendendo a comunidade. Com obras iniciadas em agosto de 2015, tinha prazo de conclusão de 360 dias. No entanto, só o que a vizinhança consegue comemorar por enquanto é a retomada dos trabalhos de construção nesta semana.

Por falta de repasse de verba da Prefeitura, a Guerrero Construtora, responsável pela construção, suspendeu os trabalhos em abril. Foi a segunda paralisação da obra. A outra aconteceu em maio do ano passado também por falta de pagamento do governo municipal.

Questionada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde informou que houve a liberação de empenho no valor de R$ 1,2 milhão para a continuidade da construção da UBS. Foi ressaltado ainda que a Secretaria Municipal de Serviços e Obra retomou as obras no último dia 4. Agora, o novo prazo de previsão para conclusão é março de 2018.

A vizinhança, que estava preocupada com o abandono do canteiro de obras, notou o retorno dos operários na última segunda-feira, dia 14. No entanto, após meses fechado, a primeira providência foi a limpeza do terreno. “Estávamos apreensivos com esse baita imóvel largado. Por causa da paralisação total dos trabalhos, começamos a notar a presença de moradores de rua, usuários de drogas e indivíduos suspeitos dentro do terreno. É um absurdo ter que conviver com essa situação em um local que já deveria ser de saúde”, comenta uma vizinha que pediu para o nome não ser identificado. “É uma luta de mais de 30 anos da comunidade para ter esse posto. Todo mundo comemorou quando começaram as obras, mas não imaginávamos que viraria esse drama”, completa.

Apesar do anúncio da retomada, a reportagem esteve na obra na última terça-feira e no endereço oficial da futura unidade, na rua Gustavo Stach, o cenário ainda era de total abandono, com os tapumes que isolam o terreno totalmente pichados e lixo dentro do espaço.

O projeto prevê a construção de prédio de 1.084 m², com dois pavimentos, nove consultórios, salas de saúde bucal e raio-x, espaço para vacinas e coleta de sangue para exames e farmácia. A previsão é que a UBS Vila Ema tenha capacidade de atendimento para 28 mil habitantes. (Kátia Leite)

Centro de Acolhimento na Mooca desagrada vizinhança

Sem alvoroço, divulgação e cerimônia midiática de inauguração, a Prefeitura de São Paulo instalou há cerca de dois meses um Centro Temporário de Acolhimento (CTA) para moradores em situação de rua em um antigo prédio comercial de sete andares na rua da Mooca, 418, em frente a tradicional escola estadual Professor Antônio Firmino de Proença. Atualmente 120 homens utilizam o espaço, que, segundo os frequentadores, tem capacidade para atender 250 pessoas. A iniciativa do governo municipal causou polêmica entre os vizinhos do imóvel. Um grupo de moradores das proximidades criou um abaixo assinado para a remoção do abrigo do local.

“Sem consulta e comunicação nenhuma começamos a nos deparar com homens descarregando beliches no prédio, que permaneceu fechado por muitos anos. Aos poucos começamos a ver a chegada de vários outros equipamentos e produtos, principalmente à noite. De repente instalaram a placa na fachada indicando um Centro de Acolhimento. A Prefeitura agiu na surdina para os vizinhos não perceberem. Isso foi um desrespeito”, contou o morador da Travessa Alta Floresta que se identificou como Wilson.

Segundo alguns vizinhos, o prédio não possui condição para servir de abrigo. “Esse imóvel ficou fechado durante mais de 10 anos e certamente possui problemas estruturais. As pessoas que estão utilizando o serviço não estão seguras. O local não possui Habite-se, não tem saída de emergência em um eventual caso de incêndio, não tem alvará do Corpo de Bombeiros e há pouquíssimos banheiros para atender toda a demanda, o que é desumano. Como a Prefeitura é capaz de adaptar este imóvel para acolher pessoas?”, questionou uma vizinha que não quis revelar o nome.

Outra preocupação dos moradores das proximidades é com as consequências de um Centro de Acolhimento em meio às residências. “Por enquanto tivemos apenas pequenos problemas, como acúmulo de sujeira nas calçadas, principalmente restos de marmitex, aglomeração de pessoas no final do dia e a falta de cortinas nas janelas faz com que os homens fiquem expostos ao tomarem banho e se trocarem. Mas, com o aumento do número de frequentadores, a situação pode piorar”, completou Wilson, afirmando que há anos a comunidade local solicita a construção de um posto de saúde na região, a qual possui várias escolas e entidades sociais que atendem crianças carentes, mas o pedido nunca foi concretizado.

Os atendidos

A reportagem da Folha conversou com alguns homens atendidos pelo Centro de Acolhimento, os quais elogiaram a iniciativa da Prefeitura. “Há dois meses, quando abriu este abrigo aqui na Mooca, fui transferido da região da estação da Luz. Foi a melhor coisa que aconteceu. Trabalho durante o dia e no final da tarde tenho para onde ir. Está tudo novinho e a promessa é que em breve começarão algumas oficinas, como a de informática, o que irá nos ajudar bastante e o serviço passará a funcionar 24h. Por enquanto o prédio está atendendo apenas metade da capacidade e não é qualquer um que chega e pode entrar. É preciso cumprir algumas exigências da Prefeitura e estar cadastrado no programa municipal”, contou o gari Paulo Sergio Rosa, que contou estar na rua há cerca de cinco anos. “Sou um ex-dependente químico e só consegui me salvar graças ao serviço oferecido pela Prefeitura. Fiquei internado por cerca de oito meses, realizei alguns cursos e hoje tenho um emprego de Gari. Estou em fase de treinamento para começar a prestar serviço à cidade”, concluiu com orgulho e esperançoso.

Questionada, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social informou que a primeira etapa do projeto do CTA foi inaugurada no mês de junho e as próximas etapas devem ser finalizadas até o final do mês de agosto. Foi esclarecido que o imóvel foi cedido para a secretaria e o serviço no local oferece 250 vagas para pernoite, além de refeições, banho e oficinas. O órgão acrescentou ainda que a organização social que gerencia o CTA tem mediado uma série de diálogos com a comunidade vizinha. Sobre as condições estruturais e segurança do prédio, a secretaria não se manifestou.

Passagem em Vila Prudente é esquecida pela Prefeitura

Bastante utilizada por moradores da Vila Prudente, a passagem existente entre as ruas Gino Moneli e Doutor Gabriel Galvanese Amato, conhecida popularmente como Córrego das Vacas, está repleta de lixo, entulho, com mato alto e galhos de árvores cobrindo a iluminação. Segundo a vizinhança, o local é esquecido pela Prefeitura, pois equipes de zeladoria quase não aparecem para realizar os serviços de manutenção. Outro problema relatado é a falta de segurança no trecho, onde acontecem frequentes assaltos.
O morador local Paulo Rogério Sobral conta que a vizinhança está cansada de procurar a Prefeitura. “Este pedaço do bairro está esquecido. Sempre solicitamos limpeza, mais atenção, mas não temos retorno. É muito difícil aparecer gari por aqui. Acredito que por ser uma área de divisa entre as Prefeituras Regionais Mooca e Vila Prudente, um órgão empurra para o outro e não fazem nada por nós”, comenta Sobral. “Quando aparece uma equipe realiza limpeza apenas na metade da viela, pois alegam que a outra metade é de outro Distrito. Acho que eles não sabem que nosso imposto é pago para toda cidade e o trabalho deveria ser realizado em toda a extensão da passagem, sem divisão de Prefeituras”, completa com indignação.
Outro problema citado pela vizinhança é a insegurança. “Pessoas passam por aqui em vários momentos do dia e a noite para usarem droga livremente. Além disso, por conta da dificuldade de acesso de viatura, a polícia miliar não passa neste trecho, o que facilita a ação de bandidos. Devido à falta de poda das árvores, a iluminação pública está encoberta e a escuridão toma conta do local”, contou uma moradora da rua Luigi Ori, que termina na viela em questão.
O que também incomoda e atrapalha os moradores do local é a falta de identificação da passagem. “Há muitos anos solicitamos um nome para esta viela, o que facilitaria muitos serviços, inclusive quando precisamos acionar a polícia, mas nunca nos deram atenção. Infelizmente estamos abandonados”, concluiu Sobral.
A Prefeitura Regional Vila Prudente informou que a limpeza no local é feita periodicamente e um outro serviço foi programado para ocorrer entre os dias 7 e 12 de agosto. Sobre as árvores, foi ressaltado que a última poda foi efetuada em março do ano passado e uma nova vistoria será programada.
O 21º Batalhão de Polícia Militar se comprometeu a intensificar o policiamento no local.