Frustação com piscinão após mais um violento alagamento

Foram mais de quatro anos aguardando o término da construção do Piscinão Guamiranga, ao lado do rio Tamanduateí, entre a avenida Dr. Francisco Mesquita, rua Patriarca, viaduto Grande São Paulo e o início da rua Guamiranga. Inaugurado em 1º de fevereiro passado, com as presenças do governador Geraldo Alckmin e do prefeito João Doria, ambos do PSDB, o maior reservatório do Estado teve a sua grande prova na Vila Prudente no final da tarde da sexta-feira, dia 24, quando 72 mm de chuva desabaram impiedosamente sobre a região em menos de duas horas – o bairro só perdeu em índice pluviométrico para o vizinho Ipiranga, que registrou 77 mm.  A grande esperança dos moradores e trabalhadores de Vila Prudente era que o recém entregue piscinão conseguisse ao menos amenizar as cenas de pânico e sofrimento de temporais passados, porém, não foi o que aconteceu.

Com poucos minutos de chuva forte, a água começou a invadir diversas ruas do bairro. Na avenida Anhaia Mello a correnteza formada foi uma das mais violentas da história, segundo a comparação de pessoas que estão acostumadas a lidar com o velho problema. Moradores e comerciantes que voltaram a ter prejuízos por conta da enchente eram a própria imagem da frustração com o piscinão do Governo do Estado.

“Achávamos que a construção deste reservatório diminuiria bastante o impacto das cheias nesta região, mas aconteceu o contrário. A força da água foi ainda mais forte do que no passado. Tenho comporta no portão da minha casa, mas ela não resistiu. A água invadiu todos os cômodos e precisei correr para salvar os móveis e eletrodomésticos”, conta Paulo César, que reside há 46 anos na rua Santo Emídio, quase na esquina com a rua Amparo.

O proprietário da loja de automóvel na esquina da rua Maria Daffré com a avenida Anhaia Mello também teve prejuízos. “Estou neste ponto desde 2002 e a enchente da sexta-feira foi uma das piores que já enfrentei. A água invadiu a loja e atingiu cinco carros. Gastarei cerca de R$ 5 mil para deixá-los em ordem. Tinha esperança que esse piscinão ajudaria a minimizar o problema, mas parece que o dinheiro investido foi à toa”, comentou o comerciante Francisco Francelino.

Motoristas travados no imenso congestionamento formado no bairro também não pouparam críticas. “A Vila Prudente abriga o maior piscinão do Estado, mas, como estamos vendo, não serve para conter as cheias do próprio bairro. Estou curioso para saber como o governador vai conseguir explicar, se é que existe explicação para tamanho absurdo!”, reclamava o morador do Parque São Lucas, Thiago de Morais, que estava parado há duas horas no trânsito da rua Cavour.

Mesmo depois que a água baixou, a situação continuou perigosa para motoristas. Na descida do viaduto da avenida Anhaia Mello, na altura da avenida Salim Farah Maluf, a força da água deslocou os malotões de concreto que delimitam as pistas de rolamento da ciclovia no canteiro central. Quem descia o viaduto, se deparava com menos de uma faixa para passagem de veículos. Apesar do risco, a situação permaneceu assim até o final da manhã da segunda-feira, dia 27. (Gerson Rodrigues / Kátia Leite)

A força da água deslocou os malotões de concreto que delimitam as pistas de rolamento da ciclovia no canteiro central da avenida Anhaia Mello

 

Prefeitura Regional intensifica a limpeza

As equipes de zeladoria da Prefeitura Regional de Vila Prudente tiveram muito trabalho depois da cheia. Segundo a assessoria de imprensa da unidade, na própria sexta-feira, dia 24, várias vias começaram a receber serviços de manutenção, como limpeza e desobstrução de bocas de lobo, bueiros e galerias que acumularam muita sujeira após o alagamento. Também houve remoção de entulhos arrastados pela água e várias ruas foram lavadas.  Outro serviço bastante exigido foi o de tapa-buracos. Na quarta-feira, dia 1º de março, equipes ainda refaziam o asfalto em vários trechos da avenida Anhaia Mello que chegaram a ter placas de concreto arrancadas tamanha a correnteza que tomou conta do principal corredor viário do bairro.

A Prefeitura Regional informou que 51 homens trabalharam na operação pós-chuva. Foram utilizados quatro caminhões pipas; quatro basculantes e mais dez veículos com diferentes finalidades.

Protesto termina em confronto com a PM
Manifestantes depredaram quatro ônibus na noite de quarta-feira, dia 1º (Imagem: Reprodução TV Globo)

 

Quem passou pelas proximidades da Favela de Vila Prudente na noite da última quarta-feira, dia 1º, viveu momentos de pânico. Com os ânimos bastantes exaltados porque uma menina de seis anos foi baleada após a incursão de policiais militares na comunidade, alguns moradores iniciaram uma manifestação que acabou com ônibus depredados e confronto com a Polícia Militar.

Os manifestantes atearam fogo em caçambas de lixo e, com barricadas, bloquearam o tráfego na rua Dianópolis e na avenida Anhaia Mello. Muitos motoristas que passavam pelo local se assustaram e fugiram pela contramão, de marcha ré e sobre calçadas. Com a chegada da PM, o cenário virou de guerra. Enquanto moradores jogavam pedras e garrafas, os policiais revidavam com bombas de efeito moral para dispensar os envolvidos. Foram cerca de cinco horas de confronto. A situação só foi normalizada por volta das 23h30.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado no 56º Distrito Policial – Vila Alpina, policiais militares da Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas (ROCAM) da 4ª Companhia do 21º Batalhão realizavam patrulhamento pela rua Dianópolis quando suspeitaram da atitude de dois indivíduos que correram para o interior da favela. Consta no documento que os policiais entraram em uma das vielas da comunidade e foram recebidos a tiros. Nesse instante, uma menina de seis anos que brincava no local foi atingida no ombro por um dos disparos.

Em depoimento à Polícia Civil, os policiais da Rocam afirmaram não terem revidado e solicitaram exame pericial para constatar a ausência de pólvora em suas mãos. Segundo a delegada titular do 56º DP, Silvana Santieri Françolin, um inquérito foi instaurado para apurar de onde partiu o disparo que atingiu a criança.

A reportagem da FolhaVP conversou com o subcomandante do 21º Batalhão, Miguel Daffara, que deu a mesma versão do boletim de ocorrência. Segundo ele, os policiais ainda tentaram socorrer a criança, mas moradores da comunidade começaram a arremessar objetos contra eles e tentaram agredi-los. O major contou ainda que os policiais solicitaram apoio e entregaram a menina feriada à avó, que correu com a garota para a avenida Anhaia Mello e foi ajudada por um motorista que passava pelas imediações.

A criança foi levada ao pronto socorro do hospital municipal Ignácio Proença de Gouveia, antigo João XXIII, na Mooca, e segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o projétil não atingiu algum órgão, mas ficou alojado em um músculo do ombro. Durante a madrugada, a garota foi transferida ao hospital municipal do Tatuapé, onde passou por limpeza cirúrgica e retornou à unidade da Mooca com a bala ainda alojada. Na manhã de ontem, precisou voltar ao hospital do Tatuapé e passou por novo procedimento de limpeza. Questionada na tarde de ontem sobre a cirurgia, a Secretaria informou que ela estava com quadro estável e regular e, por enquanto, não havia previsão para a remoção do projétil. Indagada sobre uma possível falta de vagas, o órgão negou e explicou que “o procedimento ainda não ocorreu devido aos médicos estarem aguardando o melhor momento para a realização da cirurgia”.

Durante o confronto, que precisou do apoio da Tropa de Choque da PM para auxiliar na dispersão dos manifestantes, quatro ônibus foram totalmente depredados, um caminhão dos Correios foi saqueado e três pessoas – uma mulher e dois menores – foram detidas por arremessarem objetos contra os policiais, mas acabaram liberados durante a madrugada.

Um morador da favela ouvido pela FolhaVP, mas que pediu para não ser identificado, conta que ficou assustado com a dimensão do protesto. “Escutei a gritaria e percebi que algo estava errado. Minha filha chegou em casa chocada e disse que tinha passado perto de uma criança ferida. Fechei todas as portas e mantive minha família trancada. Depois de um tempo começaram as bombas de efeito moral. O cheiro invadiu minha casa e quase ficamos sem ar para respirar. Foi horrível. Moro há muitos anos na comunidade, onde tenho muitos amigos, mas não concordo com a atitude de alguns que acabam queimando a nossa imagem. Não era preciso um ato com tamanha violência”, relatou o morador. (Gerson Rodrigues)

Reunião na CET discute passagem sobre ramal de trem

Há quase 20 anos se debate a possibilidade de ligar as avenida Henry Ford e avenida Anhaia Mello, em Vila Prudente, com o objetivo de desafogar o trânsito, principalmente nas ruas Capitão Pacheco e Chaves e Dianópolis, beneficiando muitos motoristas que perdem valioso tempo em congestionamentos nos horários de pico. As duas vias são separadas por um ramal ferroviário que atualmente recebe uma ou duas composições de carga por dia, permanecendo ocioso por várias horas.

Na tarde de ontem, dia 2, aconteceu mais um reunião para discutir a questão. Desta vez, o encontro foi na sede da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e contou com a presença do prefeito regional de Vila Prudente, Jorge Farid, que foi acompanhado dos coordenadores de Obras e de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, Arnaldo Ueda e Paulo De Lucca Souza, respectivamente; além do presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Vila Prudente, Renato Chiantelli, que também estava representando o Círculo de Trabalhadores Cristãos. Eles foram recebidos pelo diretor de planejamento da CET, Sebastião Ricardo Martins e pelo assessor da presidência do órgão, Eduardo Macapelli.

De acordo com os representantes da CET, a solicitação proposta é pertinente e, após nova análise realizada recentemente, constatou-se a viabilidade técnica. Mas, conforme foi explicado, o órgão de trânsito não realiza obra e, portanto, o projeto será encaminhado à São Paulo Urbanismo para analisar a possibilidade de incluir a demanda na Operação Urbana Consorciada Bairros do Tamanduateí.

Alckmin admite que Anhaia Mello precisa de mais piscinões
Governador Geraldo Alckmin na inauguração do Piscinão Guamiranga no dia 1º de fevereiro

 

Inaugurado há um mês, com a pompa de ser o maior reservatório contra enchentes do Estado, o Piscinão Guamiranga se mostrou bastante ineficiente para minimizar as cheias na Vila Prudente, apesar de estar localizado no bairro e o custo da sua manutenção rotineira e limpeza pós-chuva ser de responsabilidade da Prefeitura Regional de Vila Prudente. Na sexta-feira, dia 24, a região enfrentou uma das piores enchentes de sua história. Em um dos pontos mais críticos, na avenida Anhaia Mello, carros foram arrastados e os bombeiros precisaram fazer resgates com botes. A violência da correnteza chegou a derrubar comportas protetoras de empresas que acabaram tomadas pela água.

Na ocasião da inauguração, em 1º de fevereiro, a FolhaVP adiantou na matéria publicada que “apesar da capacidade recorde em São Paulo do Piscinão Guamiranga, o equipamento não deve resolver as cheias ao longo de todo o trecho da avenida Anhaia Mello na Vila Prudente, onde está canalizado o córrego da Mooca”. Em um vídeo postado em suas redes sociais, gravado ontem no reservatório, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) admitiu que a Anhaia Mello precisa de mais dois piscinões.

No entanto, na solenidade de entrega do Piscinão Guamiranga, Alckmin afirmou durante a coletiva de imprensa que o reservatório“vai ajudar muito a Vila Prudente que já foi bastante castigada pelas cheias”. Questionado na ocasião pela reportagem da FolhaVP sobre a promessa do Estado de construir outro piscinão na Anhaia Mello em área já cedida há anos pela Prefeitura, sob o campo de futebol do Clube Escola Vila Alpina, Alckmin não soube dar informações do projeto. Coube à assessoria de imprensa do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) fornecer as explicações à Folha após a inauguração. Em nota encaminhada ao jornal foi ressaltado que esse novo piscinão está inserido no Plano de Macrodrenagem da Região Metropolitana de São Paulo e estudos indicam que deverá ocupar área de 16 mil m² e acumular até 135 mil metros cúbicos. Mas, não foi informada a previsão de início da obra.

No vídeo postado nas redes sociais, o governador afirma, que durante a tempestade da sexta-feira, o piscinão “funcionou totalmente com as seis bombas e evitou que tivéssemos problemas ainda mais graves com as enchentes”. Já em outro vídeo mais longo, publicado na página do Facebook do prefeito regional de Vila Prudente, Jorge Farid, Alckmin admite que o reservatório auxiliou mais as regiões vizinhas do que o bairro onde foi construído. “O piscinão evitou que o rio Tamanduateí, aqui na margem esquerda, saísse da calha paralisando a avenida do Estado. Também ajudou que os córregos na Mooca, Aclimação, Anhangabaú, Moinho Velho pudessem entrar melhor (no rio) e evitar também enchente no Mercadão. Agora, aqui do lado da avenida Anhaia Mello é preciso fazer dois piscinões”.

Além do piscinão no Clube Escola Vila Alpina, o outro reservatório prometido pelo governador é na altura do número 6.900 da Anhaia Mello, região do São Lucas, onde há uma grande praça pública nas proximidades do 70º Distrito Policial. O DAEE também não informou o prazo de início das obras.  (Kátia Leite)

Rua Américo Vespucci com a avenida Anhaia Mello no final da tarde da última sexta-feira, dia 25

 

Muro de cemitério desaba em área de hospital

Semanas atrás, o muro do cemitério São Pedro despencou sobre parte do estacionamento do hospital estadual de Vila Alpina. O agravante é que a parede servia de sustentação para um dos ossários da necrópole e, com isso, restos mortais que estavam depositados no local também ficaram expostos na área da unidade hospitalar. Por sorte ninguém passava pelo local no momento do acidente.

De acordo com documentos obtidos com exclusividade pela reportagem da Folha, o problema estrutural do muro é antigo. Em novembro de 2015 já havia sido reportado pela superintendência do hospital ao Serviço Funerário do Município. No ofício constava a avaliação das condições do muro, quando foram encontrados trechos com ruptura e elementos estruturais soltos devido à movimentação de árvores no terreno do cemitério. No documento estava relatada ainda a preocupação do hospital com uma possível exposição do conteúdo das gavetas do ossário caso a parede viesse a ceder – o que de fato aconteceu no último dia 26.

Em resposta ao hospital no final de 2015, o Serviço Funerário informou que os reparos no muro e no ossário só poderiam acontecer após a remoção de duas árvores que estavam prensadas entre as gavetas e a parede. Foi ressaltado que um e-mail havia sido encaminhado ao setor de áreas verdes para conhecimento e providências, o que não foi realizado na época.

Nesta semana, após ser questionado, o Serviço Funerário confirmou novamente que o motivo do desabamento foi o crescimento das raízes das árvores existentes no local e que os reparos, como a contenção da parede, já foram iniciados para que o ossário não ficasse comprometido. Foi salientado que está sendo feito o levantamento dos custos para reconstrução do trecho danificado e, em seguida, as obras serão iniciadas e devem ser concluídas até o final de março. Não foi explicado quais providências serão adotadas em relação às árvores e nem se as famílias envolvidas foram notificadas sobre o problema no ossário.

Também ciente da situação, a vereadora Edir Sales (PSD) informou à Folha que encaminhou ofício ao Serviço Funerário Municipal no dia 16 deste mês ratificando a preocupação da direção do hospital com a situação e cobrando as providências necessárias.

Doria assina lei que prevê multa para pichadores

O prefeito João Doria sancionou nesta segunda-feira, dia 20, o Projeto de Lei 56/2005, aprovado pela Câmara Municipal, que institui punição administrativa a quem pichar imóveis públicos ou privados na cidade.

A pichação passa a ser infração administrativa passível de multa no valor de R$ 5 mil – o que não exime os infratores das sanções penais cabíveis e da obrigação de indenizar os danos materiais e morais que podem ter sido provocados pelo ato. Se a pichação for feita em monumentos ou bens tombados, o valor será de R$ 10 mil, além do ressarcimento das despesas de restauração do bem pichado. Em caso de reincidência, a multa será aplicada em dobro.

O infrator poderá, até o vencimento da multa, firmar um Termo de Compromisso de Reparação da Paisagem Urbana. Caso seja cumprido, a Prefeitura poderá afastar a incidência da multa. A lei prevê como contrapartida, por exemplo, a reparação do bem pichado ou a prestação de serviço em outra atividade de zeladoria urbana. O infrator também deverá aderir a um programa educativo para incentivar o desenvolvimento da prática de grafite. O termo não afasta, no entanto, a reincidência no caso de nova infração.

“Nós deixamos de forma muito clara qual é a posição da Prefeitura, que separa, distingue e coloca em eixos distintos àqueles que produzem arte urbana, e que merecem respeito da população, da cidade e do poder constituído. Os transgressores vão ter a condenação dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário”, disse Doria.

A lei cria o Programa de Combate a Pichações, que será coordenado pela Secretaria de Prefeituras Regionais. A partir de agora, é considerado pichação “riscar, desenhar, escrever, borrar ou por outro meio, conspurcar edificações públicas ou particulares ou suas respectivas fachadas, equipamentos públicos, monumentos ou coisas tombadas e elementos do mobiliário urbano”.

Ficam excluídos do programa “os grafites realizados com o objetivo de valorizar o patrimônio público ou privado mediante manifestação artística, desde que consentida pelo proprietário e, quando couber, pelo locatário ou arrendatário do bem privado e, no caso de bem público, com a autorização do órgão competente e a observância das posturas municipais e das normas editadas pelos órgãos governamentais responsáveis pela preservação e conservação do patrimônio histórico e artístico”.

Os valores arrecadados com as multas serão destinados ao Fundo de Proteção ao Patrimônio Cultural e Ambiental Paulistano, já existente. A lei prevê ainda que pichadores, presos em flagrante ou que forem identificados depois, não poderão ser contratados pela administração municipal direta e indireta para atividades remuneradas.

A lei também prevê punições com multas de R$ 5 mil aos estabelecimentos que: comercializarem tintas do tipo aerossol a menores de 18 anos; não apresentarem a relação de notas fiscais lançadas com a identificação do comprador; não mantiverem cadastro atualizado dos adquirentes do produto com nome, endereço, números de Cédula de Identidade e de Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), marca e cor da tinta adquirida. Em caso de reincidência, a multa será aplicada em dobro e o estabelecimento estará sujeito à suspensão parcial ou total das atividades.

O texto abre a possibilidade de termos de cooperação com a iniciativa privada, que pode fornecer mão de obra, tintas e outros materiais necessários à execução dos serviços do programa. Em contrapartida, a empresa poderá exibir placa indicativa de cooperação durante o período de um mês. A lei tem 30 dias para ser regulamentada.

Secretaria empurra para o final do ano a conclusão da UBS Vila Ema

A novela envolvendo a construção da Unidade Básica de Saúde (UBS) Vila Ema parece estar longe do fim. Depois dos trabalhos ficarem parados no ano passado por quase dois meses devido ao atraso no repasse de verba por parte da Prefeitura, o novo prazo de conclusão divulgado nesta semana pela Secretaria Municipal de Saúde foi estendido para o final do ano. O anúncio causou indignação na comunidade que aguarda há mais de 30 anos pelo equipamento de saúde.

“Mais uma vez a Prefeitura desrespeita a população. Uma unidade de saúde deveria ser prioridade e ser construída a passos de tartaruga. Essa UBS era para ter sido entregue no fim do ano passado e agora passaram para o final deste ano. É um absurdo”, declarou a líder comunitária Bernadete Duarte, que é integrante do movimento de saúde da região e luta pela construção da UBS há três décadas.

Na placa informativa anexada na obra consta que o início dos serviços aconteceu no dia 24 de agosto de 2015 e o prazo de execução era de 360 dias, ou seja, a conclusão deveria ter ocorrido em agosto de 2016.

Nesta semana a reportagem da Folha esteve na construção e constatou poucos operários em atividade. Segundo o engenheiro que se identificou como Yuri, o ritmo dos trabalhos está mais lento no momento em razão da empresa contratada, a Guerrero Construtora, estar aguardando um posicionamento da Prefeitura em relação ao andamento dos serviços. “Não estamos com o trabalho parado. Estamos mantendo cerca de quatro funcionários em atividade. Com a troca de gestão, a Prefeitura quis rever os contratos. Nos informaram que até o final deste mês as análises serão concluídas e a próxima etapa será executada”, contou o engenheiro, que afirma receber uma vez por mês membros da comunidade para prestar contas dos serviços.

Ainda de acordo com o engenheiro, o prédio da unidade está praticamente concluído. “Faltam apenas alguns acabamentos, mas está quase pronto, com instalações elétricas e hidráulicas. Após finalizarmos, partiremos para a segunda etapa, que é a parte externa do equipamento”, completou. A Folha constatou que o entorno do prédio está esquecido. O mato está tão alto que dificultou para a reportagem fazer fotos da unidade. O passeio do espaço também está tomado pelo matagal, o que atrapalha a passagem de pedestres.

Para o comerciante do bairro, Antônio Geraldo Bueno, que há anos também batalha pela implantação da UBS Vila Ema, a extensão do prazo de conclusão é lamentável. “Quando a obra foi anunciada toda a comunidade se entusiasmou, mas, infelizmente, estamos cada vez mais descrentes do poder público. A sensação é de que estamos sendo enrolados”, comentou Bueno.

Além do novo prazo extendido para conclusão da obra, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a construção da UBS conta com fundação do prédio, parte de alvenaria, do revestimento e pisos. Foi ressaltado que serão investidos no total cerca de R$ 3,5 milhões. A reportagem questionou ainda o motivo do término ter sido prorrogado, mas o órgão não se manifestou.

Vereador Rinaldi Digilio promete criar o Gabinete Móvel

Jovem e novato na política. Rinaldi Digilio – 41 anos, formado em Direito, casado, pai de três filhos e pastor da Igreja do Evangelho Quadrangular Vila Ema – se elegeu vereador pelo PRB com 20.916 votos em outubro passado. Foi a primeira vez que concorreu a um cargo público e em entrevista à Folha na tarde da última quarta-feira, dia 15, em seu gabinete na Câmara Municipal, revelou que não estava em seus planos se tornar político. “Ainda mais em um período tão conturbado pelo qual passa a nossa política e com a população desacreditada dessa classe. Mas, aceitei a solicitação da igreja e da comunidade, pois como já desenvolvia todo um trabalho social e de comunicação, me pediram para representa-los. Quero dar conta do trabalho para o qual fui eleito e continuar olhando diretamente nos olhos das pessoas, coisa que só faz quem não tem o que temer”.

Nascido na Vila Prudente, de tradicional família do bairro e agora morando na Mooca, Digilio promete se dedicar à região. Uma das medidas que pretende implantar em seu mandato é o Gabinete Móvel (leia mais abaixo). A ideia surgiu durante a campanha, após ouvir insistentes solicitações para não virar o tipo de “político que pede voto e depois some”.

O vereador contou que ainda está se ambientando à rotina da Casa, mas está bastante satisfeito porque o primeiro Projeto de Lei que propôs, acabou incluído no pacote antipichação aprovado nesta semana na Câmara. “O texto teve algumas modificações do original, entre elas, a nossa proposta de criação de um canal eletrônico para denúncia desse tipo de crime. É assim que vou ajudar São Paulo, com boas ideias, que beneficiam a população”.

Folha – Qual a sua relação com a Vila Prudente?

Rinaldi Digilio – Nasci na Vila Prudente, morei na rua Marques de Praia Grande e depois, por muitos anos na Falchi Gianini. Também residi quase 11 anos na rua Indaiá. Estudei em vários colégios tradicionais da região, como o São Miguel Arcanjo, o José de Anchieta e o João XXIII. Quando nasci, meu pai já era líder religioso, cresci nesse ambiente e me tornei pastor aos 18 anos da igreja (do Evangelho Quadrangular) na Vila Ema. Por conta dessa criação e o trabalho que desenvolvi desde jovem, sempre me preocupei com questões comunitárias e solidárias. Costumo dizer que as pessoas não lembram de quem ganhou o último Oscar, a Olimpíada, mas lembram de quem estendeu a mão no momento da necessidade e da dor. A causa social também será o foco do meu trabalho na Câmara. Agora moro na Mooca porque a família cresceu, veio o terceiro filho e não tinha como continuar no nosso apartamento. Mas, com a valorização imobiliária da Vila Prudente por causa do Metrô, tive que ficar um pouco mais distante da região onde cresci.

Folha – Até alguns meses atrás, o senhor não era político e certamente, como a maioria da população, deve ter ficado indignado com praticas e votações ocorridas na Casa. A esperança da população recai sobre os novatos para mudar essa situação. Como o senhor pretende desempenhar o seu trabalho?

Rinaldi Digilio – Os políticos são eleitos para representar os anseios da população, mas, muitos se preocupam apenas com os seus interesses. Felizmente, notamos que a população brasileira acordou e esta mais atenta. Aqui na Câmara houve uma grande renovação com 22 novos vereadores nesta Legislatura, sendo que 18 estão no primeiro mandato. Já conversei com alguns dos novatos e estou sentindo uma mudança de postura em relação ao que acontecia antes. Eu também estou procurando fazer a minha parte, cortei gastos do gabinete e a primeira decisão foi que, caso seja liberado o aumento salarial dos vereadores pela Justiça, vou fazer a doação da diferença para instituições de caridade. Eu quero dar conta do trabalho para o qual fui eleito e continuar olhando diretamente nos olhos das pessoas, coisa que só faz quem não tem o que temer. Nesse primeiro mês, já me reuni com diversos secretários para discutir as políticas públicas, apresentar emendas e estou acreditando que desempenharemos um bom trabalho. Como já disse, quero focar no social, pois durante o meu trabalho na igreja, vi a importância de dar atenção à família para termos uma sociedade estruturada.

Folha – Quais são os principais projetos que o senhor pretende desenvolver ao longo do mandato e especificamente para a região?

Rinaldi Digilio – Um dos projetos é justamente para aproximar o vereador do munícipe, que é o Gabinete Móvel. A ideia é avisar através das redes sociais, parar o carro em uma praça, por exemplo, colocar uma mesa e ficar disponível para ouvir as demandas da população. Acredito que será um resgate da credibilidade da política. Quero estar bem próximo da comunidade e principalmente conseguir deixar uma marca na minha região, onde nasci e sempre vivi. Sei que a Vila Prudente tem muitos problemas, como os buracos na Anhaia Mello, principalmente no trecho em obras do monotrilho, além de despejo de entulhos e insegurança. Também tem a questão das inundações, pois o piscinão inaugurado não vai resolver todo o problema. A obra do CEU precisa ser agilizada. Enfim, pretendo fazer pressão para  a resolução dessas questões, aproveitando que o meu partido é da base do governo. A Vila Prudente e região podem contar com esse vereador porque vou me empenhar para levar junto ao prefeito emendas para melhorar a vida da comunidade. Foi onde nasci, onde mora toda a minha família e tenho essa obrigação.  

Claudio Fonseca assume presidência da Comissão de Educação da Câmara

Na sexta-feira, dia 10, os membros das Comissões Permanentes da Câmara Municipal escolheram em plenário seus presidentes. Entre os vereadores da região, Claudio Fonseca (PPS), foi eleito por unanimidade para a Comissão de Educação, Cultura e Esportes.

“Nós temos muitas demandas para um Sistema de Educação de qualidade na cidade e tenho certeza que podemos usar esse espaço para dar bons encaminhamentos”, afirmou Fonseca ao agradecer o apoio dos vereadores membros da Comissão. “Vamos apreciar os projetos dos parlamentares, os encaminhados pelo Executivo e acompanhar a implementação do Plano Municipal de Educação que apresenta metas que devem ser cumpridas. Acho que essa é uma boa referência do trabalho que teremos que fazer. Também vamos discutir a reforma do Ensino Médio. O trabalho é grande e os vereadores que integram essa comissão têm bastante conhecimento para assegurar aos munícipes o ensino de qualidade”, argumentou. 

A Comissão de Educação se reunirá sempre as quartas-feiras, às 14hs, na Sala Tiradentes, no 8º andar da Câmara.

Ficou definido que as demais reuniões ordinárias das Comissões também ocorrerão sempre às quartas-feiras. As salas e os horários serão anunciados pelos respectivos presidentes.

Veja abaixo os presidentes e membros de cada Comissão:

Comissão de Constituição, Justiça e Legislação Participativa

Presidente: Mário Covas Neto (PSDB). Membros: Reis (PT), Janaína Lima (Novo), Edir Sales (PSD), Rinaldi Digilio (PRB), Sandra Tadeu (DEM), Caio Miranda (PSB), Zé Turin (PHS) e Claudinho de Souza (PSDB).

Comissão de Finanças e Orçamento

Presidente: Jair Tatto (PT). Membros: Aurélio Nomura (PSDB), Isac Felix (PR), Rodrigo Goulart (PSD), Atílio Francisco (PRB), Ricardo Nunes (PMDB), Ota (PSB), Rodrigo Gomes (PHS) e Reginaldo Tripoli (PV).

Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente

Presidente: Souza Santos (PRB). Membros: Fabio Riva (PSDB), Eduardo Suplicy (PT), Paulo Frange (PTB), José Police (PSD) e Camilo Cristófaro (PSB).

Comissão de Administração Pública

Presidente: Toninho Paiva (PR). Membros: Gilson Barreto (PSDB), Antonio Donato (PT), Ricardo Teixeira (PROS), André Santos (PRB), Alfredinho (PT) e Quito Formiga (PSDB).

Comissão de Trânsito, Transporte, Atividade Econômica, Turismo, Lazer e Gastronomia

Presidente: Senival Moura (PT). Membros: João Jorge (PSDB), Adilson Amadeu (PTB), Fernando Holiday (DEM), Abou Anni (PV), Conte Lopes (PP) e Alessandro Guedes (PT).

Comissão de Educação, Cultura e Esportes

Presidente: Claudio Fonseca (PPS). Membros: Aline Cardoso (PSDB), Arselino Tatto (PT), Celso Jatene (PR), George Hato (PMDB), Dalton Silvano (DEM) e Toninho Vespoli (PSOL).

Comissão de Saúde, Promoção Social, Trabalho e Mulher

Presidente: Rute Costa (PSD). Membros: Adriana Ramalho (PSDB), Juliana Cardoso (PT), Sâmia Bomfim (PSOL), Gilberto Nascimento (PSC), Milton Ferreira (PTN) e Noemi Nonato (PR).

Doria faz visita surpresa em equipamentos na Mooca

O prefeito João Doria (PSDB) esteve na Mooca na tarde da sexta-feira, dia 10. A visita fez parte da rotina adotada pelo novo prefeito de aparecer em equipamentos públicos sem aviso prévio – nem mesmo a imprensa é informada para cobrir a ação. Ele estava acompanhando do vice Bruno Covas. De acordo com a Prefeitura, a iniciativa tem o objetivo de conhecer as necessidades da região e os servidores que fazem o atendimento à população.

Doria esteve em várias unidades de serviços que ficam dentro do Complexo Municipal na rua Taquari. A visita começou em duas escolas municipais, a Doutor Fabio da Silva Prado e a Professora Neusa Bassetto – esta última atende crianças com necessidades especiais. Ele conversou com os alunos e funcionários para conhecer as principais queixas e ficou sabendo que recentemente as escolas tiveram equipamentos eletrônicos roubados por vândalos. O prefeito entrou em contato com o secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, para buscar parcerias para sanar este e outros problemas apontados.

Na sequência, Doria foi à Unidade Básica de Saúde (UBS) Mooca 1, onde conversou com pacientes e conheceu a farmácia da unidade. Também visitou a Biblioteca Affonso Taunay. Apesar da sede da Prefeitura Reginal da Mooca ficar no mesmo complexo, ele não esteve na unidade.

Esta foi a sexta vez que Doria foi aos equipamentos sem avisar. As outras visitas surpresas aconteceram nas áreas das Prefeituras Regionais do Campo Limpo, Butantã, Sapopemba, M’ Boi Mirim e Perus.