Incêndio em imóvel ocupado deixa dois mortos

Por volta das 5h da última segunda-feira, dia 12, o Corpo de Bombeiros recebeu chamado para fogo no terceiro andar da edificação na esquina das avenidas Vila Ema e Salim Farah Maluf. Equipes de dez viaturas foram empenhadas no combate às chamas. Após a extinção do incêndio, durante o trabalho de rescaldo, os bombeiros encontraram dois corpos: de um homem de 35 anos e de um bebê de dois meses de idade.

O caso foi registrado no 42º Distrito Policial – Parque São Lucas e de acordo com a Secretaria de Segurança Pública, no local, “a autoridade policial apurou que a criança estava sozinha no momento do incêndio, o que caracteriza crime de abandono de incapaz”. Diante da situação de flagrante, a mãe foi conduzida à delegacia, onde foi ouvida e presa.

As investigações prosseguem para apurar as causas do fogo e esclarecer todas as circunstâncias dos fatos.

História

No passado, entre as décadas de 70 a 90, funcionou no local a Padaria Amália, que foi bastante famosa na região. Porém, depois do encerramento das atividades, o imóvel de propriedade particular ficou fechado e se deteriorando por anos, até ser ocupado por cerca de 200 famílias de sem-teto na madrugada de 7 maio de 2016.

Em janeiro de 2019 o prédio chegou a ser totalmente desocupado após a Prefeitura mover ação com pedido de tutela de urgência, por causa das precárias condições do imóvel. A Justiça acatou a solicitação do governo municipal, concedeu a liminar para desocupação e o proprietário foi intimado a realizar as obras necessárias para estabelecer a segurança da edificação.

Após a retirada das famílias, a Prefeitura emparedou os acessos do prédio, mas, poucos dias depois voltou a ser invadido. Na ocasião, o governo municipal ressaltou que cabia ao proprietário impedir a reocupação.

Desde então, o número de moradores no imóvel foi aumentando. Também foram instalados comércios. No terreno do prédio, funcionava ainda uma cooperativa de reciclagem.

Durante o incêndio desta semana, os bombeiros destacaram que havia muito material combustível no local.

Nova desocupação

A Secretaria Municipal de Habitação informou à Folha que realizou na terça-feira, dia 13, um plantão social para o cadastramento das famílias que viviam no prédio. A partir desse atendimento será possível a concessão de um auxílio emergencial no valor de R$ 1 mil, como medida de proteção habitacional imediata. Foram cadastradas 132 famílias para acolhimento na Rede Socioassistencial e oferta de insumos. Nenhuma família havia aceitado o acolhimento até a última posição da Prefeitura.

A Defesa Civil, vinculada à Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU), isolou o prédio, que permanecia preservado pela polícia para a realização dos trabalhos de perícia. Mas, vizinhos já denunciaram novas tentativas de reocupação.

Em março do ano passado, o imóvel foi vistoriado pela Subprefeitura da Mooca que constatou risco de ruína estrutural. A Prefeitura afirma que pediu nova desocupação à Justiça, que foi autorizada. Mas, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) definiu prazo para saída voluntária até junho de 2026.

A Folha também procurou o representante dos proprietários e aguarda um posicionamento.

Foto no topo: Reprodução TV Globo
Foto no fim do texto: Reprodução internet

 

DP do São Lucas investiga venda de ingressos falsos

A Polícia Civil realizou nesta quinta-feira, dia 15, operação contra uma associação criminosa envolvida em esquema de venda de ingressos falsos para o show da banda britânica Iron Maiden. A ação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão no Tatuapé e em Guarulhos.

A investigação é realizada pelo 42º Distrito Policial (DP) – Parque São Lucas desde dezembro, quando um homem compareceu à delegacia informando que foi vítima de um golpe. Relatou que fez o pagamento de R$ 690 por meio do pix para adquirir a entrada para o show, mas não recebeu o ingresso. Ao entrar em contato com a plataforma original, descobriu que estava em um site falso que simulava o verdadeiro.

Os policiais descobriram que o valor pago foi destinado a uma empresa facilitadora de pagamentos, que não efetuou o bloqueio ou estorno mesmo após a comunicação da fraude. As diligências revelaram a existência do site falso e de empresas envolvidas no golpe, com constituição recente, alterações societárias suspeitas e diversas reclamações por golpes semelhantes.

“É uma reprodução muito idêntica ao site original. A pessoa tem que estar sempre atenta à grafia na página de endereçamento. Eles sempre trocam ou invertem as palavras. São nesses mínimos detalhes que é possível diferenciar o verdadeiro do falso”, alerta o delegado titular do 42º DP, Alexandre Bento.

A operação chamada Fear of the Pix, que significa “medo do pix”, em referência a um álbum da banda britânica de 1992, apreendeu 13 relógios, três veículos de luxo, R$ 11 mil em espécie, seis computadores e outros documentos que serão análise de investigação. O caso está sendo registrado como associação criminosa para a prática de estelionato eletrônico.

 

Muro de cemitério despenca durante temporal

Durante a forte chuva na noite da última terça-feira, dia 13, parte do muro do Cemitério Quarta Parada desabou. Túmulos ficaram visíveis e os detritos interditaram a rua David Zeiger, que serve de acesso ao estacionamento e ao velório.

A Consolare, que administra o cemitério desde a concessão feita pela Prefeitura em março de 2023, informou que não houve feridos e nem danos nos jazigos.

A concessionária destacou que se trata de um muro muito velho construído através de uma metodologia antiga. Esclareceu ainda que uma equipe técnica realizou a avaliação dos danos e os trabalhos para a reposição provisória do isolamento do trecho do muro foram realizados no dia seguinte ao desmoronamento. No entanto, a reconstrução definitiva depende de aprovação do plano emergencial de intervenção junto a Prefeitura.

Mais problema

Famílias com jazigos no cemitério apontam que o muro na avenida Álvaro Ramos também está com trechos desabando há cerca de um mês e foram cobertos com uma lona plástica preta.

“Desde que a Consolare assumiu o Quarta Parada, implantou a cobrança de uma taxa de manutenção anual de cerca de mil reais para cada família que tem túmulo no cemitério. E olha a ‘maravilha’ de manutenção!”, reclama um morador próximo à Álvaro Ramos e que tem familiares no cemitério. Ele pediu para não ter o nome divulgado.

“Já são quase três anos de concessão, já foi tempo suficiente para a empresa reformar os muros e resolver outros problemas do cemitério. Mas, se preocupou primeiro em cobrar nova taxa e o estacionamento”, argumento um aposentado proprietário de jazigo no local, que também pediu para não ser identificado.

Apesar de questionada, a Consolare não explicou a situação do muro do cemitério na avenida Álvaro Ramos.

Fotos: reprodução internet