Parque Vila Ema: processo de desapropriação avança

No final de 2025 ocorreu importante movimentação no processo de desapropriação do terreno de quase 17 mil m² na esquina da rua Batuns com a avenida Vila Ema. De acordo com a Procuradoria Geral do Município (PGM), no dia 29 de dezembro, foi realizado o depósito de R$ 3.014.282,15, referente ao valor remanescente da indenização da área onde será implantado o futuro Parque Vila Ema. Com isso, também foi solicitado nesta semana à Justiça o ato que permitirá à Prefeitura assumir a posse do terreno.

A Prefeitura destacou ainda à Folha que, como se trata de uma área desocupada, a expectativa é que a transferência de posse ocorra em cerca de 30 dias após a decisão judicial. O valor do terreno é de R$ 7.130.270,25, com base em perícia judicial. Anteriormente a Prefeitura já havia depositado em juízo parte do valor.

A Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente também informou à Folha que o projeto executivo do Parque Vila Ema está concluído e depende da desapropriação da área para que seja iniciado o processo licitatório de implantação.

O terreno na rua Batuns foi uma antiga chácara de imigrantes alemães e ainda abriga vegetação nativa da Mata Atlântica. A Tecnisa, proprietária da área, pretendia erguer torres residenciais no local. A movimentação popular pela preservação do verde começou há mais de 15 anos e tem total apoio da Folha desde o início.

Fogo em dezembro

O avanço no processo de desapropriação do terreno na Vila Ema ocorre após um incêndio registrado na área na madrugada de 12 de dezembro. A Tecnisa afirmou que registrou Boletim de Ocorrência “após relatos de vizinhos indicando que o fogo teria sido provocado por terceiros”. Segundo a construtora, aproximadamente 25 espécies foram atingidas pelas chamas, entre elas, 20 palmeiras-da-china que apresentaram comprometimento em decorrência do incêndio.

Parque da Mooca: nova previsão de entrega

De acordo com a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, as obras de implantação do Parque da Mooca ultrapassaram 65% de conclusão e a nova previsão de entrega é neste primeiro semestre de 2026.
As obras de construção do parque no terreno entre as ruas Barão de Monte Santo e Dianópolis começaram em junho de 2024, quando a Prefeitura promoveu evento na Mooca com a presença do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Na ocasião, foi afirmado diante da população que o parque seria entregue ainda naquele ano.

Ao longo de 2025, a Folha cobrou a Secretaria do Verde sobre os atrasos na inauguração. Em maio, a alegação foi que a entrega do parque havia sido reprogramada para o segundo semestre “devido à necessidade de ajustes na drenagem do terreno, essenciais para garantir a qualidade e a segurança na execução das obras”. No final do ano, o prazo foi estendido de novo por mais seis meses.

A Secretaria detalhou que o projeto do novo parque contempla a implantação de um percurso principal, com cerca de 800 metros de extensão, que fará a ligação entre todos os equipamentos. Ao longo desse trajeto, caminhos secundários garantirão melhor circulação, acessibilidade e integração entre os diferentes espaços. Entre eles, estão previstos o edifício administrativo, estrutura complementar com sanitários públicos, guaritas nos acessos principais, áreas destinadas a eventos e convivência, playgrounds com brinquedos inclusivos, além de espaços com equipamentos de ginástica e aparelhos para atividades físicas.

História

O Parque da Mooca será construído em menos da metade do espaço pleiteado. A Folha iniciou a luta pela área verde no local há mais de 20 anos, defendendo que ocupasse os quase 100 mil m² do terreno como forma de compensação pela grave contaminação ambiental sofrida no passado. O local serviu como reservatório de combustíveis da Esso e precisou passar por longa remediação do solo. A destinação total ao verde também seria importante para amenizar o clima cada vez mais árido da Mooca e arredores. Porém, apesar da grande mobilização, a maior parte do terreno será ocupada por novos condomínios de prédios. (Kátia Leite)