Alagamentos, árvores caídas e novo apagão

Antes mesmo dos efeitos do ciclone extratropical que impactou o clima em São Paulo, a semana começou com alagamentos na segunda-feira, dia 8. Por volta das 12h30, as regiões das subprefeituras Vila Prudente e Mooca entraram em estado de atenção para enchentes.

Não demorou para vias com antigos problemas de drenagem, como a avenida Anhaia Mello, ruas José Zappi e da Prece, entre outras, registrarem alagamentos. Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) da Prefeitura, na estação meteorológica de Vila Prudente foi registrado 41,6 mm de chuva até às 14h.

Ainda na segunda, na altura do número 3013 da Anhaia Mello, sentido centro, houve queda de um poste de energia elétrica durante a tempestade. O trânsito ficou bastante complicado e, por sorte, ninguém se feriu. Procurada pela Folha, a Enel se limitou a responder que “o poste foi trocado e a energia restabelecida às 23h12”. Não houve explicação sobre o motivo do desabamento.

Ciclone em ação

A partir da terça-feira, dia 9, começaram as interferências do ciclone no clima da cidade, inicialmente com chuva contínua e depois com fortes rajadas de vento que causaram muitos estragos, principalmente nas espécies arbóreas. Segundo o Corpo de Bombeiros, na quarta-feira, dia 10, foram mais de 1.400 chamados na capital e Região Metropolitana para quedas de árvores. Ontem, dia 11, foram mais 260 ocorrências.

Na região, houve quedas em diversos bairros. Na rua Tomé Pontes, travessa da rua Ibitirama, na Vila Prudente, uma espécie enorme despencou por volta das 13h30 da quarta-feira. Os galhos derrubaram um ciclista que passava pela via exatamente no momento.
Na rua Jundiapeba, na Vila Zelina, outra grande espécie ficou atravessada na rua e sobre a escola municipal de educação fundamental (EMEF) Profª Ruth Lopes Andrade. O fornecimento de energia na via foi interrompido por volta das 11h da quarta e somente na manhã do dia seguinte uma equipe da Enel foi ao local, restabelecendo o serviço mais de 24 horas depois.

Até o fechamento desta matéria ontem, dia 11, moradores e comerciantes da região ainda aguardavam equipes da Enel (leia Editorial). Também havia queixas de desabastecimento de água. Em nota às 18h41, a Sabesp destacou que a falta de eletricidade impede o bombeamento de água para as residências.

Foto acima: rua Zacarias Alves de Melo, Vila Prudente (enviada por leitor)
Foto abaixo: rua Jundiapeba, Vila Zelina (enviada por leitor)

 

Editorial: Novo apagão e mais um trauma

Dois anos depois, os paulistanos reviveram todo o drama do absurdo apagão da Enel de novembro de 2023. Naquela ocasião, moradores da Vila Prudente chegaram a enfrentar desesperadoras 118 horas sem o abastecimento de energia elétrica. No pesadelo desta semana, até o fechamento desta seção no início da noite de ontem, dia 11, mais de um milhão de clientes permaneciam sem luz – muitos deles desde a manhã da quarta-feira, dia 10. E a concessionária não fornecia um prazo exato para o restabelecimento total do serviço.

Não foi por falta de alertas. Foram insistentes avisos da Defesa Civil do Estado de São Paulo e de outros órgãos meteorológicos sobre os impactos que o ciclone extratropical formado no sul do Brasil provocaria no estado paulista. Fortíssimas rajadas de vento estavam mais do que previstas e anunciadas.

Mesmo assim, tudo indica, que a Enel não deixou todo o seu efetivo de sobreaviso. Ainda sob o impacto dos fortes ventos na capital paulista, tomadas aéreas de jornais televisivos flagraram pátios da empresa com dezenas de carros de manutenção parados. Um deles fica no Ipiranga, nosso vizinho. Enquanto isso, a Vila Zelina, por exemplo, seguia com imóveis às escuras desde às 10h da quarta-feira. No Jardim Independência, até às 18h de ontem, diversos imóveis continuavam sem luz. Um vídeo postado nas redes sociais da Folha mostra o completo breu em parte do bairro na preocupante noite anterior.

A Prefeitura, por meio da Procuradoria Geral do Município (PGM), notificou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Enel, pedindo explicações sobre o grande número de veículos da concessionária parados em garagens. Além disso, a PGM pediu para que a empresa esclareça, em até 48 horas, os motivos que levaram parte da população a sofrer com a interrupção do fornecimento de energia por tantas horas.

É urgente que todas as autoridades competentes se debrucem com rigor sobre mais esse escândalo envolvendo a Enel e medidas efetivas sejam adotadas. Não adianta apenas esbravejar enquanto quem sofre mesmo é a população em geral, com alimentos estragando nas geladeiras, prejuízos no trabalho e em equipamentos hospitalares, entre outros graves problemas.

Atropelamento com morte na Vila Prudente

Na última terça-feira, dia 9, por volta das 7h30, William da Silva Campos, de 50 anos, foi atropelado na rua Carlos Muller, esquina com a rua do Orfanato, na Vila Prudente. Ele foi atingido por um ônibus da empresa Movebuss, que operava a linha 4025/10 Sítio das Figueiras – Metrô Tatuapé.

Em estado bastante crítico, a vítima foi levada por uma ambulância do SAMU ao Hospital Estadual de Vila Alpina, onde foi constatado traumatismo craniano irreversível.  Segundo a família informou à Folha, ele permaneceu em coma e entubado até falecer na manhã da quarta-feira, dia 10. Deixa esposa e dois filhos adolescentes.

A família explicou que ele fazia o trajeto rotineiramente.  Descia na estação Vila Prudente de metrô e caminhava até a empresa onde trabalhava, a poucos metros do local onde foi atropelado.

A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a São Paulo Transportes (SPTrans) informam que a ocorrência está sendo apurada. Ressaltou ainda que “a operadora foi orientada a prestar apoio à vítima”. Porém, até a manhã de ontem, a família afirmou que a Movebuss não havia feito contato.

Até o fechamento desta edição, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) também não forneceu dados sobre o Boletim de Ocorrência.

Trecho perigoso

Há anos, a esquina da rua Carlos Muller com a Orfanato é notícia na região pelos acidentes de trânsito, incluindo batidas e atropelamentos. Entre as várias ocorrências graves, em 2011, um motociclista de 29 anos também morreu no local após ter a moto atingida por um micro-ônibus.

Questionada pela Folha, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que “a via não atende os critérios exigidos para implantação de um redutor de velocidade transversal (lombadas)” e que o cruzamento “já conta com sinalização semafórica para pedestres e faixas de travessia”. Também destacou que a rua Carlos Muller tem avanço de passeio, que reduz o percurso do pedestre, e a rua do Orfanato tem Faixa Exclusiva de ônibus das 6h às 9h, todas em boas condições de visibilidade. 

Metrô na madrugada: Linha 2 teve 3,8 mil embarques

Desde o final de semana passado, as quatro linhas administradas pelo Metrô passaram a funcionar 24 horas sempre na virada de sábado para domingo. A operação segue em regime experimental até fevereiro de 2026.

Na primeira madrugada de operação especial, no dia 7, o Metrô registrou a entrada de 13,8 mil passageiros, entre 0h e 4h40, com 66 viagens realizadas no período.

A Linha 3-Vermelha teve o maior movimento, com 7,5 mil embarques, seguida das Linha 2-Verde com 3,8 mil. Na Linha 1-Azul foram 2,6 mil. A Linha 15-Prata não teve a demanda computada, pois a operação na madrugada foi atendida pelos ônibus do sistema Paese, em razão de testes no trilho com trem da nova frota.

Segundo o Metrô, o objetivo da fase experimental é analisar a demanda e a viabilidade técnica e operacional, para tentar atender a antiga solicitação de passageiros e turistas que frequentam a noite paulistana, além de trabalhadores.

Durante a madruga, as composições circulam com intervalos entre 20 e 30 minutos, dependendo da necessidade. Não há possibilidade de transferência para as demais linhas de metrô e trens operadas por concessionárias ou pela CPTM, que continuarão fechando no horário tradicional.

Linha 15

Teste de novo trem da frota altera novamente o funcionamento da Linha 15-Prata neste sábado, dia 13. Todas as estações serão fechadas às 19h. O atendimento, inclusive durante a madrugada, será feito com ônibus do sistema Paese.