A falta de fiscalização eficaz das subprefeituras foi escancarada no final de agosto, quando uma obra irregular desabou e deixou dez mortos em São Mateus. Na ocasião, a Prefeitura prometeu intensificar a patrulha e divulgou listagem das construções embargadas em São Paulo, que segundo afirma a Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras, é atualizada semanalmente. Na última quarta-feira, dia 23, a reportagem da Folha foi conferir alguns dos endereços problemáticos apontados pela administração municipal na região e em dois deles, ambos na Mooca, constatou que a obra continuava normalmente.
Um dos programas mais elogiados na gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), que chegou a ser copiado por outras cidades brasileiras, a Lei Cidade Limpa, que tem multa pesada de R$ 10 mil, parece ter caído no esquecimento após o prefeito Fernando Haddad (PT) assumir o cargo no começo deste ano. De janeiro a agosto de 2013, a Prefeitura autuou 232 comerciantes que desrespeitaram a legislação, número é bastante inferior ao mesmo período de 2012, quando os fiscais de Kassab aplicaram 2.555 autuações, diferença de cerca de 91%. A alegação da administração municipal é que os proprietários passaram a conhecer melhor a lei e agora a respeitam. Entretanto, o que se vê na prática é que as irregularidades continuam por toda a cidade, inclusive na região.
Há cerca de dois meses, depois de protestos da comunidade na porta do Hospital Local Sapopemba, conhecido como Sapopembinha, a unidade finalmente começou a receber os tapumes das obras prometidas desde janeiro, quando o hospital foi fechado sob a alegação do Governo do Estado de que passaria por melhorias. No entanto, nem os tapumes marcaram o início dos trabalhos. A vizinhança da unidade na rua Iamacaru denuncia que após a colocação das proteções de madeira, os operários não voltaram mais.
Quem passa pela avenida Anhaia Mello, na esquina com a rua Juiz de Fora, na Vila Ema, se assusta com a altura do mato. O que causa ainda mais espanto é que o matagal fica nas dependências da escola municipal de ensino fundamental (EMEF) Prudente de Morais, prejudicando as crianças atendidas na unidade.