Pânico, tristeza e indignação são os sentimentos dos moradores da Favela de Vila Prudente nos últimos dias. Segundo líderes da comunidade, a enchente do último domingo, dia 10, foi uma das mais violentas da história e afetou mais da metade das moradias. A estimativa é que cerca de 500 famílias tenham sido afetadas.
Quando a água baixou na manhã de segunda-feira, o cenário era desolador. A lama permaneceu nas habitações e logo se formaram montanhas de móveis misturados com utensílios domésticos danificados (foto acima). “Moro há mais de 40 anos nesta comunidade e nunca vi nada igual. A força da água era muito forte. Não deu tempo dos moradores salvarem seus pertences. O prejuízo é incalculável para estas pessoas que já são tão carentes”, declarou Ivanildo Gonçalves, que permaneceu duas noites sem dormir prestando solidariedade aos vizinhos. “Teve alguns moradores que perderam praticamente tudo, inclusive documentos. Eu e muitos outros ficamos duas noites acordados para tentar organizar o caos que se formou. Fiquei muito impressionado com a quantidade de bens perdidos. Havia televisores, fogões geladeiras, camas, colchões, alimentos que viraram lixo e entulho”, relatou.
O eletricista Jair de Oliveira, que reside na comunidade há mais de 30 anos, relata que desta vez a água chegou em pontos que nunca foram afetados. “Foi impressionante. A água tomou muitas moradias e as pessoas tiveram que fugir da forma que conseguiam para não morrerem. Foi chocante ver mães com crianças no colo, idosos, mulheres grávidas em meio à inundação”, contou. “Depois que a enchente acalmou e a água começou a baixar o cenário era de guerra. Muitas coisas destruídas e lama por toda parte”, completou.
Empresas solidárias Na Favela de Vila Prudente, outro ponto muito afetado, a tristeza e o caos foram amenizados graças à solidariedade de empresários, igrejas, entidades sociais e moradores da região, que voluntariamente passaram a organizar e fazer doações às famílias afetadas.
Procurada por líderes comunitários da favela, a panificadora Cepam agiu prontamente e mandou uma perua carregada de alimentos para a comunidade no início da manhã da segunda-feira, quando o cenário ainda era desolador. No dia seguinte proporcionou o café da manhã para as famílias.
A Paróquia São José do Ipiranga e a igreja evangélica Semeando em Vidas, do Jardim Avelino, colaboraram com doações de marmitex, itens de limpeza e higiene, água e lanches. Todas as doações foram concentradas na sede do Vera Cruz Futebol Clube, que fica na comunidade, e na sede da Sociedade Amigos da Favela de Vila Prudente. (Gerrson Rodrigues)
Comunidade permanecia alagada na manhã da segunda-feira. Estimativa é que cerca de 500 famílias tenham sido afetadas. (Ale Vianna)
De acordo com a medição do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura, entre às 19h do domingo até 7h da segunda-feira choveu na Capital paulista o correspondente a 32,6% do volume esperado para todo o mês de março. A Vila Prudente foi a segunda região da cidade com o maior volume de chuva: 103,3 mm³, perdendo apenas para o Jabaquara com 109,5 mm³. Porém, a Prefeitura avaliou que as áreas das subprefeituras de Vila Prudente e do Ipiranga foram as mais atingidas pelos alagamentos, porque enfrentaram transbordamentos do rio Tamanduateí e córregos, além do Piscinão Guamiranga.
Na avaliação do governo municipal, os temporais com índices históricos nos municípios vizinhos de Santo André e São Caetano tiveram impacto direto no caos na Vila Prudente e na área empresarial da Mooca. O rio Tamanduateí, que corta o ABC, transbordou violentamente colocando as subprefeituras de Vila Prudente, Ipiranga, Mooca e Sé em estado de alerta das 22h do domingo até as 5h da segunda-feira. No entanto, trechos das avenidas Anhaia Mello, do Estado e Dr. Francisco Mesquita (foto acima) continuavam alagados na manhã da segunda-feira.
A Subprefeitura de Vila Prudente (SUB-VP) afirmou que a situação ocorrida “foi absolutamente imprevisível e extraordinária e não havia qualquer ação preventiva que pudesse corrigir o que aconteceu”. Além da avenida do Estado e da avenida Dr. Francisco Mesquita, houve alagamentos intransitáveis na rua Guamiranga e em diversos pontos da avenida Anhaia Mello onde também ocorreu o transbordamento do córrego da Mooca.
De acordo com a SUB-VP, a região recebeu a colaboração de diversas subprefeituras para amenizar os transtornos, em especial da Subprefeitura Sapopemba, que nos forneceu uma equipe de limpeza de boca de lobo, e da Subprefeitura Ermelino Matarazzo que cedeu uma equipe de hidrojato, para sucção da água e limpeza das galerias. A Subprefeitura Mooca não emitiu notas sobre o ocorrido.
Piscinão transbordou na noite do domingo
Inaugurado em fevereiro de 2017 pelo Governo do Estado entre a rua Guamiranga e a avenida Dr. Francisco Mesquita, na Vila Prudente, o Piscinão Guamiranga é o maior da cidade de São Paulo. Foi projetado para acumular 850 milhões de litros de águas das chuvas – o equivalente a mais de 390 mil piscinas olímpicas. Mas, tamanha capacidade não foi suficiente na noite do último domingo, dia 10. O reservatório transbordou às 21h30.
O Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), responsável pela construção e manutenção do piscinão, afirmou que as chuvas acima da média neste mês de março levaram ao trasbordo. Foi ressaltado que “sem o reservatório, a região teria sofrido impactos ainda maiores, principalmente nas avenidas do Estado e Dr. Francisco Mesquita”.
Em resposta ao questionamento da Folha, foi informado que a limpeza do reservatório é realizada, no mínimo, uma vez ao ano e que a manutenção pode ser feita mais vezes, conforme a necessidade. Não foi esclarecido se houve mudança nessa metodologia em razão da sequência de fortes chuvas desta temporada.
Fevereiro foi o mais chuvoso dos últimos 24 anos em São Paulo e nos 11 primeiros dias de março, a cidade recebeu 90,6% do volume de chuva esperado para todo o mês. (Kátia Leite)
Imediações do Piscinão Guamiranga na Vila Prudente. (Ale Vianna)
A violência das águas deixou um rastro de destruição e prejuízos ao longo da margem do rio Tamanduateí. A enchente também atingiu várias ruas que desembocam nas avenidas do Estado e Dr. Francisco Mesquita. Moradores de casas na Vila Califórnia, Vila Alpina, Vila Bela, Quinta das Paineiras, Jardim Ibitirama, entre outros bairros do distrito de Vila Prudente, viveram momentos de agonia com a inundação em seus imóveis. Mesmo quem reside em prédios teve problemas. Moradores de condomínios na esquina das ruas Baia Grande e das Lobélias contaram que a água entrou em garagens e inundou veículos.
Outro ponto muito crítico foi a rua Guamiranga, justamente onde fica parte do piscinão. Cerca de mil pessoas permaneceram abrigadas até as 8h da manhã seguinte no Central Plaza Shopping porque não havia como deixar o empreendimento, que fica na Dr. Francisco Mesquita e também tem saída pela rua Guamiranga. Mesma situação enfrentada por usuários das estações Tamanduateí de metrô e trem. Passageiros de um ônibus ficaram ilhados por horas. “Estava lotado. Tinha uma mulher grávida, crianças e a água continuava subindo, inclusive dentro do ônibus. Não havia espaço para todos sentarem e muita gente ficou exausta. Ninguém conseguiu nos resgatar. Somente quando a enchente diminuiu, saímos a pé, pois o veículo não conseguia transitar”, contou João Lima.
As águas começarem a baixar depois de mais de oito horas seguidas de inundação, não foi o fim dos problemas para os moradores de imóveis atingidos. “Na minha casa, um sobrado, perdemos todos os móveis que estavam no piso debaixo, inclusive mantimentos porque a geladeira tombou e ficou boiando. Nos fundos, mora a minha tia em uma casa térrea. Também teve que jogar praticamente tudo fora. Os móveis ficaram horas no alagamento, não tinha como recuperar. Mesmo com a comporta, minha sala acumulou mais de um metro de água. Do outro lado da avenida teve casa que chegou a quase dois metros”, conta Luiz Orosco, morador do número 357 da avenida Dr. Francisco Mesquita há 30 anos. “Ainda fiquei com dois veículos cobertos pela água. Um Sandero e uma perua Kombi, que é o meu sustento porque presto serviço de transporte para uma rede de hipermercado. Além do prejuízo em casa, estou sem conseguir trabalhar”, completa Orosco. “Ninguém da Prefeitura apareceu para saber se sobrevivemos ao alagamento. Até agora não vieram lavar a rua. Estamos inalando a poeira do lamaçal. É revoltante. Pago o IPTU do meu imóvel e não recebemos uma ajuda”, desabafou na quarta-feira, dia 13, mais de 48 horas depois do fim do alagamento.
Quando as águas escoaram, a tragédia ficou ainda mais evidente: três corpos foram encontrados na avenida do Estado, na divisa da Vila Prudente com o município de São Caetano do Sul. Todos são de homens jovens e apresentavam características de afogamento, segundo a equipe do 1º Distrito Policial de São Caetano, onde foram lavradas as ocorrências.
Duas das vítimas fatais estavam na altura da rua Ibitirama. O outro corpo foi localizado na esquina do viaduto que dá acesso à avenida Guido Aliberti, dando um triste desfecho a uma história dramática. Durante a madrugada, o homem permaneceu horas agarrado a uma placa de sinalização de trânsito para não ser levado pela correnteza. Temendo que ele perdesse a força, moradores ainda jogaram uma mangueira para ele tentar se amarrar, enquanto ligavam para o Corpo de Bombeiros. Mas o socorro não chegou a tempo.
Até o fechamento desta matéria, os policiais civis aguardavam os laudos da perícia para saber as identidades e as idades das vítimas. (Kátia Leite)
Cenário de caos na manhã seguinte:
Equipes do Corpo de Bombeiros ainda faziam resgates na manhã da segunda-feira. (Ale Vianna)
Tráfego interrompido na avenida Anhaia Mello provocou enormes congestionamentos na região. (Ale Vianna)
Ônibus que ficaram ilhados foram recolhidos entre 8h50 e 11h30 da segunda-feira. Vários apresentavam problemas na parte elétrica e motor (Ale Vianna)
Portaria do prefeito Bruno Covas (PSDB) publicada no Diário Oficial no fim de fevereiro, que determina o fechamento de 31 das 58 unidades do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) da cidade, está provocando polêmica e terá reflexo na região. A unidade situada na confluência das avenidas Anhaia Mello e Salim Farah Maluf, denominada Água Rasa, será desativada até o fim do mês.
A administração municipal defende que essas unidades modulares – que funcionam em contêineres alugados – tiveram seu contrato encerrado para redução de gastos. As equipes e as viaturas estão sendo realocados para espaços das demais unidades de saúde da cidade. A Prefeitura afirma ainda que esse processo vai ampliar o atendimento em mais de 70 pontos de apoio.
Os funcionários do SAMU rebatem as justificativas do governo. Eles argumentam que apenas os serviços foram descentralizados, sem aumento de funcionários e viaturas. E que muitos dos novos locais não oferecem condições de estrutura como as bases atuais. Funcionários da base Água Rasa, que pediram para não serem identificados, informaram que as equipes da região serão realocadas para a AMA Hermenegildo Morbin Júnior, no Jardim Independência, e para o Hospital Ignácio Proença de Gouveia (antigo João XXIII), na Mooca.
“As bases atuais estão em pontos estratégicos da cidade, com acomodações dignas e banheiros com chuveiro e vestiários. Contam ainda com segurança, serviço de limpeza, copa para refeições e estacionamento amplo e coberto para a ambulância que precisa de espaço adequado para poder deslocar-se com brevidade ao atendimento. Algumas dessas têm mais de uma ambulância.”, relata uma funcionária.
A vereadora Juliana Cardoso (PT), integrante da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, questionou o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, sobre a desativação das unidades e os locais inapropriados para alojar o serviço durante audiência pública realizada no final de fevereiro, mas não ficou satisfeita com a explicação. “Além de condições inadequadas para acomodar as equipes e ambulâncias, muitos desses novos locais não funcionam 24 horas como ocorre atualmente”, comenta a vereadora. “E o resultado é que haverá demora de tempo num serviço essencial que é o de salvar vidas”.
Outro lado
A Prefeitura informou que as mudanças fazem parte da nova fase do processo de ampliação e descentralização do SAMU, iniciado em 2017. Segundo a administração municipal, “o plano prevê o aumento de 58 para 78 bases descentralizadas e a integração com as unidades de saúde irá gerar sinergias entre as equipes do SAMU e das unidades assistenciais, qualificando ainda mais o atendimento”. Outro objetivo da mudança, segunda a Prefeitura, “é aprimorar o aproveitamento dos recursos humanos e materiais do SAMU, cobrindo os territórios de forma mais efetiva”. Foi ressaltado que aproximar as equipes de prontidão dos locais de atendimento é uma forma efetiva de reduzir o tempo de resposta aos chamados. (Gerson Rodrigues / Colaboração André Kuchar)
A escola municipal de educação infantil (EMEI) Quinta das Paineiras, em Vila Prudente, foi invadida seguidamente durante o feriado prolongado de Carnaval. As salas de aula ficaram bagunçadas, com muitos materiais didáticos destruídos e quatro relógios de parede foram levados. Porém, desta vez, as ações de vandalismo e furto foram filmadas por câmeras de segurança da unidade. Acionada por vizinhos, equipe da Polícia Militar chegou a flagrar a primeira das invasões, com menores dentro da unidade. Funcionários suspeitam que são os mesmos que retornaram nos dias seguintes.
A primeira invasão aconteceu na noite da sexta-feira, dia 1º, por volta das 21h. As imagens das câmeras mostram cerca de três menores no interior da escola, circulando pelas salas de aula e jogando ao chão brinquedos, livros e outros materiais. As filmagens registraram ainda a chegada de uma equipe da Polícia Militar que flagrou os menores dentro da unidade. No entanto, nos dois dias seguintes as cenas se repetiram e os funcionários da escola acreditam que são os mesmos meninos flagrados pela PM. Nas imagens também é possível ver, em outro momento, um homem entrar na escola com uma mochila e sair com um dos relógios de parede na mão.
“Tivemos conhecimento do ocorrido porque um pintor que está prestando serviço à escola esteve na unidade durante o feriado e encontrou tudo bagunçado. Infelizmente, mais uma vez, quem fica com os prejuízos são as crianças atendidas, que perderam muito materiais, principalmente livros e brinquedos”, declarou uma funcionária que prefere não se identificar. “Solicitaremos à Diretoria Regional de Ensino uma verba para implantarmos alarme nas salas de aula, o que pode ajudar a inibir essas invasões”, completou. O caso foi registrado ontem no 56º Distrito Policial – Vila Alpina, onde o caso será investigado para identificação dos responsáveis.
A Folha também procurou o 21º Batalhão de Policia Militar, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.
Histórico
Em junho do ano passado a Folha publicou matéria semelhante, quando a EMEI foi invadida, vandalizada e um televisor foi furtado. Na época funcionários da escola organizaram uma caminhada pelas ruas da região com os alunos para sensibilizar a vizinhança a zelar pela escola e acionar a Polícia Militar sempre que percebesse alguma movimentação suspeita.
No final de 2014, a Folha retratou outro caso ocorrido na unidade. Na época a escola também foi invadida em um final de semana e foram levados vários equipamentos eletrônicos e até alimentos para a merenda das crianças. O prejuízo estimado na ocasião foi de R$ 13 mil.
Acidente envolvendo dois automóveis e um ônibus deixou cerca de nove feridos na manhã deste domingo, dia 3, no cruzamento das avenidas Anhaia Mello e Jacinto Menezes Palhares, na Vila Prudente. De acordo com os bombeiros e policiais que atenderam a ocorrência, tudo indica que oito das vítimas estavam no mesmo carro, um Volkswagen Polo. O helicóptero Águia da Polícia Militar aterrissou no campo de futebol do Clube Escola (CEE Arthur Friedenreich) para resgatar uma das ocupantes do Polo que foi encaminhada ao pronto socorro do Hospital das Clínicas com ferimento grave. O trânsito do cruzamento ficou interditado durante horas, assim como algumas faixas da Anhaia Mello.
O acidente aconteceu por volta das 6h20. O condutor do ônibus da linha 5142-10, que não se feriu e permaneceu no local da ocorrência, contou à reportagem que saiu da avenida Jacinto Menezes Palhares e cruzava a Anhaia Mello quando sentiu o impacto no veículo. Um Fiat Stilo fazia o mesmo percurso do coletivo e provavelmente, foi atingido primeiro pelo Polo, sendo projetado na lateral do ônibus na sequência. Equipes do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar afirmaram que o Polo trafegava no sentido bairro da Anhaia Mello. Foi ressaltado que o automóvel estava com excesso de ocupantes, incluindo menores com idades entre 12 a 15 anos.
Cerca de 20 passageiros estavam no ônibus no momento do choque e ninguém se feriu de acordo com o condutor. O veículo Stilo ficou bastante avariado. Segundo familiares do motorista de 39 anos, ele seguia para o trabalho, estava sozinho no carro e precisou ser levado ao hospital. O motorista do Polo também foi socorrido.
A tenente do Corpo de Bombeiros, Carolina Settanni, que comandou a operação de socorro das vítimas, informou que a jovem resgatada pelo helicóptero Águia apresentava fratura na face. De acordo com ela, outras cinco vítimas foram socorridas por viaturas do Resgate e três por ambulâncias do Samu. Os feridos foram levados aos hospitais de Vila Alpina, Ipiranga, Ignácio Proença de Gouveia (Mooca) e Heliópolis.
O caso foi encaminhado ao 56º Distrito Policial – Vila Alpina, onde foi registrado como lesão corporal culposa na direção de veículo automotor. No boletim de ocorrência consta que policiais encontraram uma garrafa de bebida alcoólica e uma lata de cerveja no Polo, mas em razão da urgência de socorro e internação das vítimas, não houve possibilidade de questionar os envolvidos para apurar sobre embriaguez. No boletim consta também que o motorista do Stilo está com a habilitação vencida. Não havia informações sobre o estado das vítimas. A Polícia Civil aguarda agora o laudo da perícia. (Kátia Leite)
Helicóptero Águia da PM levou vítima para o pronto socorro do Hospital das Clínicas. (Fotos: Agência Folha)