Forte chuva no ABC e transbordo do piscinão


De acordo com a medição do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura, entre às 19h do domingo até 7h da segunda-feira choveu na Capital paulista o correspondente a 32,6% do volume esperado para todo o mês de março. A Vila Prudente foi a segunda região da cidade com o maior volume de chuva: 103,3 mm³, perdendo apenas para o Jabaquara com 109,5 mm³. Porém, a Prefeitura avaliou que as áreas das subprefeituras de Vila Prudente e do Ipiranga foram as mais atingidas pelos alagamentos, porque enfrentaram transbordamentos do rio Tamanduateí e córregos, além do Piscinão Guamiranga.

Na avaliação do governo municipal, os temporais com índices históricos nos municípios vizinhos de Santo André e São Caetano tiveram impacto direto no caos na Vila Prudente e na área empresarial da Mooca. O rio Tamanduateí, que corta o ABC, transbordou violentamente colocando as subprefeituras de Vila Prudente, Ipiranga, Mooca e Sé em estado de alerta das 22h do domingo até as 5h da segunda-feira. No entanto, trechos das avenidas Anhaia Mello, do Estado e Dr. Francisco Mesquita (foto acima) continuavam alagados na manhã da segunda-feira.

A Subprefeitura de Vila Prudente (SUB-VP) afirmou que a situação ocorrida “foi absolutamente imprevisível e extraordinária e não havia qualquer ação preventiva que pudesse corrigir o que aconteceu”. Além da avenida do Estado e da avenida Dr. Francisco Mesquita, houve alagamentos intransitáveis na rua Guamiranga e em diversos pontos da avenida Anhaia Mello onde também ocorreu o transbordamento do córrego da Mooca.

De acordo com a SUB-VP, a região recebeu a colaboração de diversas subprefeituras para amenizar os transtornos, em especial da Subprefeitura Sapopemba, que nos forneceu uma equipe de limpeza de boca de lobo, e da Subprefeitura Ermelino Matarazzo que cedeu uma equipe de hidrojato, para sucção da água e limpeza das galerias. A Subprefeitura Mooca não emitiu notas sobre o ocorrido.

Piscinão transbordou na noite do domingo

Inaugurado em fevereiro de 2017 pelo Governo do Estado entre a rua Guamiranga e a avenida Dr. Francisco Mesquita, na Vila Prudente, o Piscinão Guamiranga é o maior da cidade de São Paulo. Foi projetado para acumular 850 milhões de litros de águas das chuvas – o equivalente a mais de 390 mil piscinas olímpicas. Mas, tamanha capacidade não foi suficiente na noite do último domingo, dia 10. O reservatório transbordou às 21h30.

O Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), responsável pela construção e manutenção do piscinão, afirmou que as chuvas acima da média neste mês de março levaram ao trasbordo. Foi ressaltado que “sem o reservatório, a região teria sofrido impactos ainda maiores, principalmente nas avenidas do Estado e Dr. Francisco Mesquita”.

Em resposta ao questionamento da Folha, foi informado que a limpeza do reservatório é realizada, no mínimo, uma vez ao ano e que a manutenção pode ser feita mais vezes, conforme a necessidade. Não foi esclarecido se houve mudança nessa metodologia em razão da sequência de fortes chuvas desta temporada.

Fevereiro foi o mais chuvoso dos últimos 24 anos em São Paulo e nos 11 primeiros dias de março, a cidade recebeu 90,6% do volume de chuva esperado para todo o mês. (Kátia Leite)

Imediações do Piscinão Guamiranga na Vila Prudente. (Ale Vianna)

 

 

 

Temporal, inundação histórica e pânico na Vila Prudente

Sob intensa chuva desde as 19h do domingo, dia 10, Vila Prudente e Mooca entraram em estado de alerta às 22h. A medida é decretada pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura quando acontece o transbordamento de córregos ou rios. Na Vila Prudente houve a vazão do rio Tamanduateí ao longo das avenidas do Estado e Dr. Francisco Mesquita e do córrego da Mooca na avenida Anhaia Mello. O Piscinão Guamiranga também não suportou o volume das águas e transbordou às 21h30, agravando ainda mais a situação. As horas seguintes foram muito tensas. A região continuou em estado de alerta até as 5h, mas os alagamentos persistiram.  

No final da rua Ibitirama com a avenida do Estado, 64 pessoas foram resgatadas dos tetos de veículos e muros por bombeiros em uma ação heroica usando bote. Moradores dos andares mais altos de prédios residenciais fizeram vídeos de carros sendo arrastados pela correnteza. Não dava para diferenciar a avenida do rio Tamanduateí (foto acima).

A violência das águas deixou um rastro de destruição e prejuízos ao longo da margem do rio Tamanduateí. A enchente também atingiu várias ruas que desembocam nas avenidas do Estado e Dr. Francisco Mesquita. Moradores de casas na Vila Califórnia, Vila Alpina, Vila Bela, Quinta das Paineiras, Jardim Ibitirama, entre outros bairros do distrito de Vila Prudente, viveram momentos de agonia com a inundação em seus imóveis.  Mesmo quem reside em prédios teve problemas. Moradores de condomínios na esquina das ruas Baia Grande e das Lobélias contaram que a água entrou em garagens e inundou veículos.

Outro ponto muito crítico foi a rua Guamiranga, justamente onde fica parte do piscinão. Cerca de mil pessoas permaneceram abrigadas até as 8h da manhã seguinte no Central Plaza Shopping porque não havia como deixar o empreendimento, que fica na Dr. Francisco Mesquita e também tem saída pela rua Guamiranga. Mesma situação enfrentada por usuários das estações Tamanduateí de metrô e trem. Passageiros de um ônibus ficaram ilhados por horas. “Estava lotado. Tinha uma mulher grávida, crianças e a água continuava subindo, inclusive dentro do ônibus. Não havia espaço para todos sentarem e muita gente ficou exausta. Ninguém conseguiu nos resgatar. Somente quando a enchente diminuiu, saímos a pé, pois o veículo não conseguia transitar”, contou João Lima.

As águas começarem a baixar depois de mais de oito horas seguidas de inundação, não foi o fim dos problemas para os moradores de imóveis atingidos. “Na minha casa, um sobrado, perdemos todos os móveis que estavam no piso debaixo, inclusive mantimentos porque a geladeira tombou e ficou boiando. Nos fundos, mora a minha tia em uma casa térrea. Também teve que jogar praticamente tudo fora. Os móveis ficaram horas no alagamento, não tinha como recuperar. Mesmo com a comporta, minha sala acumulou mais de um metro de água. Do outro lado da avenida teve casa que chegou a quase dois metros”, conta Luiz Orosco, morador do número 357 da avenida Dr. Francisco Mesquita há 30 anos. “Ainda fiquei com dois veículos cobertos pela água. Um Sandero e uma perua Kombi, que é o meu sustento porque presto serviço de transporte para uma rede de hipermercado. Além do prejuízo em casa, estou sem conseguir trabalhar”, completa Orosco. “Ninguém da Prefeitura apareceu para saber se sobrevivemos ao alagamento. Até agora não vieram lavar a rua. Estamos inalando a poeira do lamaçal. É revoltante. Pago o IPTU do meu imóvel e não recebemos uma ajuda”, desabafou na quarta-feira, dia 13, mais de 48 horas depois do fim do alagamento.

Na Vila Prudente e  na Mooca, dezenas de empresas nas avenidas Henry Ford e Presidente Wilson e ruas Cadiriri e Pacheco Chaves também foram inundadas e tiveram prejuízos na casa dos milhões. Muitos empresários estão desesperados porque perderam desde matéria prima até maquinários, além de equipamentos de informática dos departamentos administrativos.

Três mortes na avenida do Estado

Quando as águas escoaram, a tragédia ficou ainda mais evidente: três corpos foram encontrados na avenida do Estado, na divisa da Vila Prudente com o município de São Caetano do Sul. Todos são de homens jovens e apresentavam características de afogamento, segundo a equipe do 1º Distrito Policial de São Caetano, onde foram lavradas as ocorrências.

Duas das vítimas fatais estavam na altura da rua Ibitirama. O outro corpo foi localizado na esquina do viaduto que dá acesso à avenida Guido Aliberti, dando um triste desfecho a uma história dramática. Durante a madrugada, o homem permaneceu horas agarrado a uma placa de sinalização de trânsito para não ser levado pela correnteza. Temendo que ele perdesse a força, moradores ainda jogaram uma mangueira para ele tentar se amarrar, enquanto ligavam para o Corpo de Bombeiros. Mas o socorro não chegou a tempo.

Até o fechamento desta matéria, os policiais civis aguardavam os laudos da perícia para saber as identidades e as idades das vítimas. (Kátia Leite)

Cenário de caos na manhã seguinte:

 

Equipes do Corpo de Bombeiros ainda faziam resgates na manhã da segunda-feira. (Ale Vianna)

 

Tráfego interrompido na avenida Anhaia Mello provocou enormes congestionamentos na região. (Ale Vianna)

 

Ônibus que ficaram ilhados foram recolhidos entre 8h50 e 11h30 da segunda-feira. Vários apresentavam problemas na parte elétrica e motor (Ale Vianna)

 

 

Prefeitura vai desativar base do SAMU na região


Portaria do prefeito Bruno Covas (PSDB) publicada no Diário Oficial no fim de fevereiro, que determina o fechamento de 31 das 58 unidades do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) da cidade, está provocando polêmica e terá reflexo na região. A unidade situada na confluência das avenidas Anhaia Mello e Salim Farah Maluf, denominada Água Rasa, será desativada até o fim do mês.

A administração municipal defende que essas unidades modulares – que funcionam em contêineres alugados – tiveram seu contrato encerrado para redução de gastos. As equipes e as viaturas estão sendo realocados para espaços das demais unidades de saúde da cidade. A Prefeitura afirma ainda que esse processo vai ampliar o atendimento em mais de 70 pontos de apoio.

Os funcionários do SAMU rebatem as justificativas do governo. Eles argumentam que apenas os serviços foram descentralizados, sem aumento de funcionários e viaturas. E que muitos dos novos locais não oferecem condições de estrutura como as bases atuais.  Funcionários da base Água Rasa, que pediram para não serem identificados, informaram que as equipes da região serão realocadas para a AMA Hermenegildo Morbin Júnior, no Jardim Independência, e para o Hospital Ignácio Proença de Gouveia (antigo João XXIII), na Mooca.

“As bases atuais estão em pontos estratégicos da cidade, com acomodações dignas e banheiros com chuveiro e vestiários. Contam ainda com segurança, serviço de limpeza, copa para refeições e estacionamento amplo e coberto para a ambulância que precisa de espaço adequado para poder deslocar-se com brevidade ao atendimento. Algumas dessas têm mais de uma ambulância.”, relata uma funcionária.

A vereadora Juliana Cardoso (PT), integrante da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, questionou o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, sobre a desativação das unidades e os locais inapropriados para alojar o serviço durante audiência pública realizada no final de fevereiro, mas não ficou satisfeita com a explicação. “Além de condições inadequadas para acomodar as equipes e ambulâncias, muitos desses novos locais não funcionam 24 horas como ocorre atualmente”, comenta a vereadora. “E o resultado é que haverá demora de tempo num serviço essencial que é o de salvar vidas”.

Outro lado

A Prefeitura informou que as mudanças fazem parte da nova fase do processo de ampliação e descentralização do SAMU, iniciado em 2017. Segundo a administração municipal, “o plano prevê o aumento de 58 para 78 bases descentralizadas e a integração com as unidades de saúde irá gerar sinergias entre as equipes do SAMU e das unidades assistenciais, qualificando ainda mais o atendimento”. Outro objetivo da mudança, segunda a Prefeitura, “é aprimorar o aproveitamento dos recursos humanos e materiais do SAMU, cobrindo os territórios de forma mais efetiva”. Foi ressaltado que aproximar as equipes de prontidão dos locais de atendimento é uma forma efetiva de reduzir o tempo de resposta aos chamados. (Gerson Rodrigues / Colaboração André Kuchar)

Escola infantil é vandalizada e furtada de novo

A escola municipal de educação infantil (EMEI) Quinta das Paineiras, em Vila Prudente, foi invadida seguidamente durante o feriado prolongado de Carnaval. As salas de aula ficaram bagunçadas, com muitos materiais didáticos destruídos e quatro relógios de parede foram levados. Porém, desta vez, as ações de vandalismo e furto foram filmadas por câmeras de segurança da unidade. Acionada por vizinhos, equipe da Polícia Militar chegou a flagrar a primeira das invasões, com menores dentro da unidade. Funcionários suspeitam que são os mesmos que retornaram nos dias seguintes.

A primeira invasão aconteceu na noite da sexta-feira, dia 1º, por volta das 21h. As imagens das câmeras mostram cerca de três menores no interior da escola, circulando pelas salas de aula e jogando ao chão brinquedos, livros e outros materiais. As filmagens registraram ainda a chegada de uma equipe da Polícia Militar que flagrou os menores dentro da unidade. No entanto, nos dois dias seguintes as cenas se repetiram e os funcionários da escola acreditam que são os mesmos meninos flagrados pela PM. Nas imagens também é possível ver, em outro momento, um homem entrar na escola com uma mochila e sair com um dos relógios de parede na mão.

“Tivemos conhecimento do ocorrido porque um pintor que está prestando serviço à escola esteve na unidade durante o feriado e encontrou tudo bagunçado. Infelizmente, mais uma vez, quem fica com os prejuízos são as crianças atendidas, que perderam muito materiais, principalmente livros e brinquedos”, declarou uma funcionária que prefere não se identificar. “Solicitaremos à Diretoria Regional de Ensino uma verba para implantarmos alarme nas salas de aula, o que pode ajudar a inibir essas invasões”, completou. O caso foi registrado ontem no 56º Distrito Policial – Vila Alpina, onde o caso será investigado para identificação dos responsáveis.

A Folha também procurou o 21º Batalhão de Policia Militar, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.

Histórico
Em junho do ano passado a Folha publicou matéria semelhante, quando a EMEI foi invadida, vandalizada e um televisor foi furtado. Na época funcionários da escola organizaram uma caminhada pelas ruas da região com os alunos para sensibilizar a vizinhança a zelar pela escola e acionar a Polícia Militar sempre que percebesse alguma movimentação suspeita.

No final de 2014, a Folha retratou outro caso ocorrido na unidade. Na época a escola também foi invadida em um final de semana e foram levados vários equipamentos eletrônicos e até alimentos para a merenda das crianças. O prejuízo estimado na ocasião foi de R$ 13 mil.

Vários feridos em acidente no cruzamento da Anhaia Mello


Acidente envolvendo dois automóveis e um ônibus deixou cerca de nove feridos na manhã deste domingo, dia 3, no cruzamento das avenidas Anhaia Mello e Jacinto Menezes Palhares, na Vila Prudente. De acordo com os bombeiros e policiais que atenderam a ocorrência, tudo indica que oito das vítimas estavam no mesmo carro, um Volkswagen Polo. O helicóptero Águia da Polícia Militar aterrissou no campo de futebol do Clube Escola (CEE Arthur Friedenreich) para resgatar uma das ocupantes do Polo que foi encaminhada ao pronto socorro do Hospital das Clínicas com ferimento grave. O trânsito do cruzamento ficou interditado durante horas, assim como algumas faixas da Anhaia Mello.

O acidente aconteceu por volta das 6h20. O condutor do ônibus da linha 5142-10, que não se feriu e permaneceu no local da ocorrência, contou à reportagem que saiu da avenida Jacinto Menezes Palhares e cruzava a Anhaia Mello quando sentiu o impacto no veículo. Um Fiat Stilo fazia o mesmo percurso do coletivo e provavelmente, foi atingido primeiro pelo Polo, sendo projetado na lateral do ônibus na sequência. Equipes do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar afirmaram que o Polo trafegava no sentido bairro da Anhaia Mello. Foi ressaltado que o automóvel estava com excesso de ocupantes, incluindo menores com idades entre 12 a 15 anos.

Cerca de 20 passageiros estavam no ônibus no momento do choque e ninguém se feriu de acordo com o condutor. O veículo Stilo ficou bastante avariado. Segundo familiares do motorista de 39 anos, ele seguia para o trabalho, estava sozinho no carro e precisou ser levado ao hospital. O motorista do Polo também foi socorrido.

A tenente do Corpo de Bombeiros, Carolina Settanni, que comandou a operação de socorro das vítimas, informou que a jovem resgatada pelo helicóptero Águia apresentava fratura na face. De acordo com ela, outras cinco vítimas foram socorridas por viaturas do Resgate e três por ambulâncias do Samu. Os feridos foram levados aos hospitais de Vila Alpina, Ipiranga, Ignácio Proença de Gouveia (Mooca) e Heliópolis.

O caso foi encaminhado ao 56º Distrito Policial – Vila Alpina, onde foi registrado como lesão corporal culposa na direção de veículo automotor. No boletim de ocorrência consta que policiais encontraram uma garrafa de bebida alcoólica e uma lata de cerveja no Polo, mas em razão da urgência de socorro e internação das vítimas, não houve possibilidade de questionar os envolvidos para apurar sobre embriaguez. No boletim consta também que o motorista do Stilo está com a habilitação vencida. Não havia informações sobre o estado das vítimas. A Polícia Civil aguarda agora o laudo da perícia. (Kátia Leite)

Helicóptero Águia da PM levou vítima para o pronto socorro do Hospital das Clínicas. (Fotos: Agência Folha)

 

Policial reage a arrastão na Doutor Francisco Mesquita

Motoristas que trafegam pela avenida Dr. Francisco Mesquita, na Vila Prudente, continuam enfrentando situações de muita insegurança, apesar de o comando do 21º Batalhão de Polícia Militar garantir que reforçou o patrulhamento no trecho após ocorrência de grande repercussão em dezembro passado. Na manhã da última segunda-feira, dia 25, não ocorreu um novo arrastão na via porque um policial militar do 3º Batalhão de Choque passava pelo local quando notou quatro homens roubando os ocupantes de veículos travados no congestionamento próximo ao viaduto Grande São Paulo. Houve disparos de revólver e o quarteto conseguiu escapar. Apesar do susto, não há registro de feridos entre os motoristas e passageiros parados no trânsito. Parte da ação foi filmada por um desses motoristas e o vídeo está circulando pelas redes sociais.

De acordo com a ocorrência policial, registrada como tentativa de roubo e legítima defesa, equipe do 21º Batalhão foi acionada para averiguar disparos de arma de fogo, por volta das 8h na avenida Dr. Francisco Mesquita com a rua Pindamonhangaba. Chegando ao local, os policiais não encontraram a ocorrência e nem suspeitos pelos arredores. Posteriormente, houve a comunicação do Batalhão de Choque do envolvimento de um policial no caso.

O policial informou que conduzia a sua motocicleta Honda, sentido centro da avenida, e se deparou com os quatro homens realizando roubos nos veículos. Ainda segundo o relato do policial, quando o grupo começou a ir em sua direção, um deles com um revólver nas mãos, ele sacou a sua arma particular e fez cerca de seis disparos em direção ao quarteto. Ele não sabe se conseguiu atingir algum dos suspeitos. Os quatro homens fugiram pela rua Pindamonhangaba, em direção da rua Padre Faustino.

Até o fechamento desta matéria, a polícia não constatou a entrada de suspeito ferido com tiro nos hospitais da região. O caso foi registrado no 56º Distrito Policial – Vila Alpina e a arma do policial foi apreendida. Ele foi conduzido à Correcional de Polícia Judiciária Militar e Disciplina. (Kátia Leite)

Sala principal do Arthur Azevedo só reabre no segundo semestre

Conforme a Folha destacou com exclusividade no final do ano passado, o forro da sala principal de espetáculos do Teatro Municipal Arthur Azevedo, na Mooca, cedeu na madrugada de 1º de dezembro, após grande volume de chuva e fortes ventos na região. Desde então, o espaço está interditado e as atrações ficaram restritas a públicos menores no saguão e na sala multiuso.  A previsão é que o teatro volte a receber grandes espetáculos somente no segundo semestre. A Secretaria Municipal de Cultura informou que o valor orçado para a obra de reparo é de aproximadamente R$ 216 mil. O problema acontece pouco mais de três anos após o teatro ser reaberto. Entre 2011 e 2015 o Arthur Azevedo passou por ampla reforma que contemplou a troca total do telhado, segundo a Prefeitura garantiu na ocasião.

Inaugurado em 1952, o Teatro Arthur Azevedo foi fechado às pressas em setembro de 2011. O prédio apresentava graves falhas estruturais, como infiltrações que colocavam em risco os funcionários, público, atores e demais membros das companhias teatrais. Na época, espetáculos foram interrompidos antes do final por causa de goteiras no palco e na plateia.

A reforma começou em julho do ano seguinte e durante uma vistoria em setembro de 2013, o então secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira, destacou as trocas de todo o telhado e da parte hidráulica do teatro.  O projeto foi idealizado por uma arquiteta da Secretaria Municipal de Cultura e a realizado pela construtora Engetal.

Durante as festividades de aniversário da Mooca em agosto de 2015, o Arthur Azevedo foi reaberto totalmente requalificado e com recursos mais modernos de cenotecnia para teatro e sistema de projeção, nova cabine de controle de som e luz, melhorias na acústica, ar-condicionado e poltronas mais confortáveis, entre outras melhorias. A obra estava orçada inicialmente em R$ 5,4 milhões e de acordo com o divulgado pela Prefeitura na reinauguração, o investimento final foi de R$ 7,8 milhões.

Nesta semana, a Secretaria Municipal de Cultura informou que o processo administrativo referente aos reparos no forro foi concluído no final de janeiro. Apesar de a Folha questionar, não foi esclarecido se ainda existe garantia da reforma realizada pela construtora. Conforme a reportagem apurou, a Secretaria está tentando que a empresa arque com parte do conserto. (Kátia Leite)

Sem tetos voltam para o prédio de antiga padaria


No início deste ano, uma ampla ação da Prefeitura que envolveu vários órgãos, com amparo da Justiça, retirou as últimas famílias que ainda ocupavam o deteriorado imóvel da antiga padaria Amália, entre as avenidas Vila Ema e Salim Farah Maluf. O prédio estava invadido desde maio de 2016.

Após a remoção das pessoas, todos os acessos foram emparedados para evitar novas invasões e a Prefeitura enfatizou que a responsabilidade pela segurança do imóvel ficou a cargo do proprietário. No entanto, poucos dias depois da desocupação, as barreiras nos acessos começaram a ser destruídas.  A Folha comunicou a Prefeitura, por e-mail, há três semanas. Mas, de acordo com informações colhidas pela reportagem, cerca de 15 famílias já estão no local.

Vizinhos contam que a ocupação tem ocorrido gradativamente, principalmente à noite a aos finais de semana. “Percebemos que estão entrando novamente no imóvel de forma bem cautelosa para não chamarem tanta atenção, mas já vimos caminhões de mudança descarregando móveis e mães com crianças. A cada dia uma porta emparedada amanhece destruída e protegida por um tapume, o que maquia o arrombamento”, contou uma vizinha do local que não quer divulgar o nome.

Na época da remoção a Secretaria Municipal de Habitação informou que chegou a cadastrar 150 famílias que viviam no prédio e os responsáveis passaram a receber auxílio aluguel no valor de R$ 400 mensais. A vizinhança acredita que algumas pessoas que saíram do imóvel estão entre os ocupantes novamente. “A Prefeitura investiu tempo, equipes e dinheiro na ação, mas o local não foi monitorado após a desocupação. Pessoas que foram retiradas voltaram a morar no imóvel e, possivelmente, ainda estão recebendo o auxílio aluguel”, denuncia outro vizinho.

A Prefeitura salientou que o prédio é particular e o proprietário solicitou, junto à Justiça, a reintegração de posse no ano passado. Foi ressaltado que o município manteve tratativas para uma desocupação voluntária e pacífica das famílias, pois o edifício apresenta condições precárias de moradia e risco à vida. A administração municipal informou também que as pessoas que receberam auxílio-aluguel e voltaram a ocupar o imóvel perderão o benefício, mas não especificou se já fez essa averiguação. A Prefeitura acrescentou ainda que o proprietário será comunicado para que providencie segurança ao imóvel e evite novas ocupações.

A Folha tem procurado, através da Justiça, órgãos municipais e Cartórios, algum contato do proprietário do imóvel para questionar as novas ações que serão tomadas.

Polícia Militar

Desde a semana passada a Folha tem indagado o 21º Batalhão de Polícia Militar sobre as providências que podem ser tomadas quando os moradores do entorno flagram a ocupação, mas, de novo, não houve resposta até o fechamento desta edição.

Vizinhos do prédio afirmam que no último domingo, dia 10, por volta das 17h, acionaram a Polícia Militar através do 190 ao perceberem a movimentação de entrada no imóvel.

Novo subprefeito vistoria ramal ferroviário na Henry Ford


O ritual se repete há mais de duas décadas. A cada novo subprefeito na região, a Folha destaca a importância de promover a ligação das avenidas Henry Ford e Anhaia Mello, com o objetivo de desafogar o trânsito nas ruas Capitão Pacheco e Chaves e Dianópolis, em Vila Prudente. O trecho é interditado por um ramal ferroviário que, com o passar dos anos, foi perdendo a importância e atualmente recebe uma ou duas composições por dia, permanecendo ocioso por várias horas. Na manhã desta segunda-feira, dia 11, foi a vez do novo subprefeito de Vila Prudente, José Antonio Varela Queija, conhecer essa história in loco.

Acompanhado de sua equipe, Queija constatou o bloqueio entre a Henry Ford e a Anhaia Mello e a precária situação do trecho: o ramal está entre um matagal, que acumula lixo, entulho e animais mortos. Durante a visita do subprefeito, era possível avistar moradores da comunidade vizinha caminhando ou sentados nos trilhos. Também esteve presente o novo gerente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) responsável pela área Sudeste, Alexo Leopoldo Menezes, e auxiliares técnicos. A visita contou ainda com a participação da vereadora Edir Sales (PSD).

A favor de Queija para finalmente resolver o impasse de anos, está o fato de a CET ter o projeto de ligação das duas vias aprovado. “A medida também interessa bastante à CET. Falta somente acertar os detalhes da implantação da passagem com a operadora da linha férrea. É justamente essa conversação que depende do subprefeito”, ressaltou Menezes.

A equipe da CET ressaltou que não haverá necessidade de desapropriações para fazer a ligação – o que poderia criar resistências e encarecer o projeto. Outra novidade é que será mantido o duplo sentido de direção na Henry Ford, de forma que a ligação possa favorecer também o motorista que trafega pela Anhaia Mello e deseja acessar a avenida. Inicialmente a proposta previa apenas o inverso: facilitar o acesso da Henry Ford para a alça da Anhaia Mello sob o viaduto Grande São Paulo.

O subprefeito concluiu que o caso está bem encaminhado, com enorme chance de solução, e se prontificou a agilizar a reunião com os responsáveis pelo ramal. (Kátia Leite)

Trilhos entre matagal e muito entulho recebe recebe uma ou duas composições por dia, permanecendo ocioso por várias horas. (Agência Folha)
Novo subprefeito de Vila Prudente, José Antonio Varela Queija, conheceu o local e acredita que existe grande chance de solução. (Agência Folha)
Laudo aponta falha humana na colisão de trens da Linha 15


O Metrô informou nesta terça-feira, 5, que o laudo da comissão de segurança concluiu que houve falha humana no acidente ocorrido no último dia 29, envolvendo a colisão de dois trens da Linha 15-Prata do monotrilho na estação Jardim Planalto. De acordo a Companhia, a ação de um operador tornou o trem M22, que estava estacionado na plataforma da estação, invisível ao sistema de comunicação e sinalização (CBTC), causando o choque com a composição M23 que fazia uma manobra.

Os trens do monotrilho não operam com maquinistas e os vagões estavam vazios no momento da colisão porque a estação Jardim Planalto ainda não foi inaugurada.

O Metrô ressaltou que “todos procedimentos de atuação do quadro operativo da Linha 15, principalmente aqueles que envolvem segurança, passarão por uma revisão rigorosa, com o objetivo de mitigar novas ocorrências”. 

Atualmente a Linha 15 opera com seis estações entre Vila Prudente e Vila União. De acordo com o Metrô, 45 mil passageiros são transportados nos dias úteis. A estação Jardim Planalto é a próxima parada após a estação Vila União e deveria ter sido inaugurada em abril do ano passado. Depois a abertura foi prorrogada para junho de 2018 e a informação agora é que deve entrar em operação “até o final deste ano” junto com as estações Sapopemba, Fazenda da Juta e São Mateus.

O Metrô informou que rescindiu os contratos com a empresa Azevedo & Travassos por causa de sucessivos atrasos no cronograma de obras e atualmente faz licitação para escolher nova empresa para concluir os trabalhos na Linha 15. (Kátia Leite)