Na manhã da quarta-feira, dia 26, um funcionário de uma empresa de reparos de retroescavadeiras, localizada no número 6.243 da avenida Sapopemba, na Vila Guarani, morreu após ser prensado na parede pela pá de um dos equipamentos.
A forte chuva que caiu sobre a cidade no início da noite de domingo, dia 23, fez sua primeira vítima fatal na região este ano. Um morador de rua, aparentando 40 anos, foi encontrado morto sob um veículo Gol na altura do número 2.500 da rua da Mooca, próximo ao cruzamento com a avenida Paes de Barros.
Durante a temporada de chuvas, entre dezembro e março, são comuns as cenas de motoristas ilhados por conta de enchentes ou até com os carros cobertos pela enxurrada. Porém, não são somente os alagamentos que preocupam os condutores nesta época. O aumento de buracos no asfalto gera perigo e prejuízo aos mais desavisados. Na região, algumas vias já começam a apresentar verdadeiras crateras em sua pista após os temporais.
Enquanto os piscinões da avenida Anhaia Mello não saem do papel – desde novembro de 2009 a Prefeitura fala de finalização do projeto, Vila Prudente e região continuam sofrendo com os constantes alagamentos. Entretanto, no último dia 13, o governador do Estado, Geraldo Alckmin, anunciou a construção de quatro piscinões na Grande São Paulo com ajuda de dinheiro do Governo Federal, sendo um deles na divisa da Capital com São Caetano do Sul. A notícia gerou expectativa da população local, que acreditava que a obra na cidade do ABC seria realizada nas proximidades da avenida do Estado, na divisa com a região, área bastante atingida por enchentes. Porém, conforme a Folha apurou, o projeto será feito no Ipiranga.
O que era para ser um alívio aos moradores da rua Mara Rosa, no trecho entre as ruas Antônio Augusto Cortesão e Nova Brasília, no Sapopoemba, tornou-se fonte de insatisfação. Em junho do ano passado parte do córrego Inhumas, que passa pelo local, começou a receber obras de canalização, o que era reivindicado há muitos anos pela comunidade, no entanto, além da conclusão estar atrasada, os serviços realizados, a cada chuva forte, apresentam danificações.
Na última terça-feira, dia 18, a Defensoria Pública do Estado inaugurou a nova sede da unidade de Vila Prudente, na avenida Sapopemba, 3704, ao lado do Fórum da região. A repartição conta com três defensores públicos, três oficiais de defensoria, nove estagiários de Direito e uma psicóloga. A expectativa é que sejam realizados entre 60 e 90 atendimentos diários.
Na manhã de sexta-feira, dia 14, por volta das 6h30, um caminhão chocou-se contra o muro de uma padaria na esquina das avenidas Vila Ema e Salim Farah Maluf, na Vila Prudente. Embora a carreta tenha invadido a calçada, batido em um automóvel e parado apenas ao chocar-se com a parede do comércio, ninguém ficou ferido.
Todo início e final de ano a história se repete: moradores e comerciantes da região sofrem com as chuvas. As enchentes na Vila Prudente e arredores são destaques na Folha desde as primeiras edições do jornal, em 1992. O mesmo não pode ser dito sobre as ações da Prefeitura para minimizar o problema, pois, na maioria das vezes, não passam de medidas paliativas de zeladoria, como a limpeza de bocas de lobos. Levantamento realizado pela reportagem, com matérias publicadas na última década, apontou que os alagamentos ganharam cada vez mais destaques por conta da assiduidade com que ocorrem neste período e a intensidade assustadora.

Somente quem mora ou trabalha em locais de alagamentos conhece os transtornos que a chuva pode causar. Na verdade, para muitos moradores, o pânico começa muito antes da água desabar: basta o céu estar carregado de nuvens negras. A reportagem da Folha percorreu vias que são pontos tradicionais de enchentes na região e conversou com moradores e comerciantes, que apesar de alterarem seus horários e hábitos nesta época de temporais, continuam sofrendo prejuízos com a força das cheias. Entre eles é quase unânime a constatação de que a cada ano, a água sobe cada vez mais rápida, mesmo quando a chuva não é tão intensa. Ressaltam também que a única medida tomada pela Prefeitura é a isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para quem teve a casa atingida por alagamento.
